terça-feira, 18 de outubro de 2016

Tempo para pensar

Será que nos falta tempo para ensaiar pensamento de qualidade, naquela demanda por simplesmente pensar sem mais nada a atrapalhar? Alguém sente isso?

quinta-feira, 31 de março de 2016

Um Quiz sobre "O Corvo Laranja"

Ainda se encontram coisas curiosas na Internet. Descobri recentemente que alguém criou um Quiz sobre o conto que escrevi intitulado de "O Corvo Laranja".
 
A internet tem destas coisas positivas, permite que se pegue no trabalho voluntário com propósitos sociais e se vá mais além.
 
Fica o Quiz para quem queira experimentar e conhecer melhor este Corvo diferente: O Corvo laranja, de Micael Sousa (PLIP - Projeto de Leitura Inclusiva Partilhada)
 
 

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Subsistir os cartazes políticos por espelhos

 
 
Das trevas e da indiferença coletiva a dita classe política emerge no final do verão. Surgem como seres à parte da nossa sociedade, como se fossem uma classe social diferente. Brilha um espetáculo montado e sustentado no vazio do imediato, remendado de novidades apenas para durar o tempo de uma campanha. Curiosamente, este espetáculo político tem perdido muita da sua própria espetacularidade. Já não se invocam sonhos, só realidades mais ou menos negativas ou palavras de ordem moldáveis. Mentiras à parte, sem sonhos a noite é apenas metade da realidade, escura e tenebrosa, onde o medo persiste e na qual apenas se dorme cobardemente.

Quebrar a classe desses políticos é uma obrigação. Não por terem classe a mais, mas por princípio democrático. Em democracia nada poderia ser mais antidemocrático que reservar o exercício da política a uma pequena franja estanque da sociedade. Pode ser apenas um jogo semântico mas são os significados que nos fazem pensar e agir.

Esta é a estação das migrações dos grandes animais políticos e suas manadas de agentes modeladores da realidade. Não lhes peçamos exemplo, pelo menos não mais do que exigimos a nós mesmos. Queiramos apenas que se pautem pelos mesmos valores como pessoas comuns que são, iguais, na generalidade, a todos os outros cidadãos. Por isso acertam e erram, tal como todos nós.

Depois de obliterar os tiques de classe pensemos nos candidatos. Haverá alguns muito melhores que outros. Enquanto o sistema eleitoral não mudar teremos de votar em listas fechadas, e nelas tentar identificar os melhores dentro da normalidade cívica. Há que ir para além das fotografias e do marketing eleitoral de modo a analisar quem se candidata e os motivos pelos quais o faz. Não é difícil perceber quem tem historial de competência nas suas áreas de atividade e quem se candidata por causas coletivas. É um pequeno esforço cívico de análise.

Porventura um dia seria interessante inverter os focos e substituir os cartazes políticos por espelhos, pois o exercício da política ativa depende imensamente de quem vota. Nesses espelhos cada um poderia ver refletida a sua responsabilidade ao votar, relembrar o suposto exercício cívico realizado, depois de analisados os perfis dos candidatos e as propostas políticas que efetivamente levaram à escolha. Afinal o principal agente político em democracia é o eleitor.

 

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Democracia – Uma Utopia contemporânea?

 
Ao contrário do que se possa pensar, o sistema político democrático era altamente criticado pelos intelectuais da época quando foi inicialmente instituído. Grandes pensadores e filósofos criticaram abertamente a democracia da época enquanto sistema de governo. Basta pensarmos na célebre tríade de pensadores gregos atenienses: Sócrates, Platão e Aristóteles. Consta que o próprio Sócrates foi condenado à morte por questionar as falhas da democracia. As críticas que se faziam eram, em parte, replicáveis ainda hoje. Cada um, no seu estilo e segundo a sua própria sistematização filosófica, criticava o tipo de decisões que resultavam da escolha democrática, com votações quase sempre desinformadas e facilmente manipuláveis por quem verdadeiramente detinha o poder, na sombra. A condenação à morte do próprio Sócrates é disso exemplo, tal como a incompetência da gestão do conflito contra Esparta durante a Guerra do Peloponeso, que arruinou a prospera polis ateniense. Não é então estranho que esses e outros pensadores tenham concebido sistemas de governo alternativos.

Sempre que se tenta avaliar a democracia enquanto sistema numa discussão é certo que alguém vai de imediato citar Winston Churchill, dizendo que “a Democracia é a pior forma de governo, à exceção de todas as outras”. De facto nenhum outro sistema provou ser melhor, pelo menos para a esmagadora maioria da população. No entanto, a aplicação da democracia e a concretização do seu potencial máximo continua, de um certo modo, a ser uma utopia. Exemplos, mais antigos e recentes, próximos e distantes, não faltam.

Tal como na antiguidade clássica, a democracia real, embora a nossa seja muito mais abrangente - devido ao sufrágio universal e outros direitos e deveres -, continua a ser defeituosa. Os votantes continuam a ser manipulados e não é certo que se escolham sempre os melhores. Continua a faltar a devida formação/prática cívica e política como fundamento da tomada de decisão, para serem os próprios cidadãos (ou eleitores de um ato particular) a criarem o suposto sistema de autogovernação. Uso este termo pois em democracia plena não deve existir, por princípio, aristocracia ou outra classe ou grupo social à parte destinada à governação, cada cidadão pode aspirar a esse cargo. No entanto, para a democracia ser verdadeiramente universal e funcional é essencial garantir certas condições mínimas, tais como: segurança, saúde, educação, liberdade, informação e adequados meios de subsistência. Enquanto isso não for totalmente garantido, a todos em igualdade de oportunidades, a democracia fica por concretizar: torna-se uma utopia contemporânea.
 
Nota: Texto publicado no Jornal de Leiria em 18 de setembro de 2014

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

A Quem Interessa Piorar o Serviço Público?

Todos sabem que o sector privado está em crise. Há desemprego e os portugueses estão em dificuldades. Mesmo quando o privado perde o valor, mesmo falindo nos casos extremos, o coletivo e o sector público vão sempre persistir, pois sabemos que nas crises mais graves são aqueles os últimos que nos podem valer. Apesar de todas as críticas, no fundo espera-se sempre que seja o Estado a assumir tudo aquilo que mais ninguém pode. No entanto, ignorando esse seguro coletivo que é a existência de um Estado com meios eficazes, parece haver um plano estratégico para fazer reduzir meios imprescindíveis mínimos e desmotivar todos os que trabalham, direta ou indiretamente, no sector público ou para a causa pública, mas também os que deles dependem para atingir o mínimo de qualidade de vida e dignidade. Assim facilmente se encontra justificação para dizer: o sector público funciona pior que o privado. Acrescentando à falta de meios, a crescente e esmagadora burocracia do sector público dificilmente o pode tornar eficiente e flexível quando comparado com o sector privado. Obviamente que nessas condições é impossível uma confrontação adequada e justa entre as duas realidades. As regras simplesmente não são as mesmas.
 
Parece existir uma vontade em desvalorizar o serviço e meios públicos, para que seja mais fácil desmonta-los. Sem meios e funcionando em modelos arcaicos, modernos apenas na burocracia que se acrescenta em camadas, será impossível defender e colocar uma organização pública diretamente em igualdade comparativa com uma empresa privada. Mais complicado ainda é quando tudo se resume a comparações financeiras, sem que os impactos socioculturais sejam convertidos em mais-valias económicas.
Um dia serão os nossos filhos, e não os mercados, a acusar-nos de ineficiência e destruição da riqueza herdada e não legada depois. Isto porque a salvaguarda que garantia um Estado capaz de assegurar igualdade de oportunidades será uma miragem do passado. Para alguns não fará diferença pois podem deixar heranças desafogadas às descendências, tornando-as quase independentes de tudo e de todos. Então e os outros que nunca tiveram tais oportunidades?
O Estado e o serviço público, em democracia, constituíram-se para garantir mínimos de dignidade aos cidadãos, independentemente da sua sorte de nascimento e percurso de vida que não puderam controlar. Agora, que o pouco existente vai sendo demolindo, justificado em comparações incomparáveis entre sector público e privado, afinal a quem verdadeiramente interessa perder este seguro civilizacional coletivo que é um Estado com serviços públicos capazes?
 
Nota: texto publicado no Jornal de Leiria em 24 de Abril de 2014

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Um nacionalismo para a União Europeia (sobreviver) - Um texto que saiu de um ensaio

Recentemente fiz um ensaio sobre a o "pan-nacionalismo" da União Europeia, sobre como essa vertente nunca foi desenvolvida na UE, e como isso condicionou a coesão e efetiva união e adesão dos cidadãos a essa nova entidade política.

Partindo desse ensaio escrevi mais uma crónica para o P3 do jornal Público.

Para os curiosos aqui fica o link para o texto: Um nacionalismo para a União Europeia (sobreviver)

 

terça-feira, 29 de abril de 2014

Os meus preconceitos e Porque “Bem-vindos a Beirais” só pode ser ficção

Este promete ser um dos textos mais redundantes deste blogue, mas não resisti a falar de uma das séries me acompanha quando estupidamente ligo a televisão da cozinha para cozinhar ou jantar. Tenho esse hábito estupido de ligar a tv, e como nos restantes canais a programação é ainda pior lá vai o canal 1 reinando. Refiro-me à série “Bem-vindos a Beirais”. Não é a primeira série do género, mas nesta até depositava algumas esperanças. Umas que se cumpriram, outras que nem por isso.

Espero que ninguém leve "Beirais" muito a sério, pois qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência. Provavelmente estou a ser apenas exagerado. De qualquer dos modos certas coisas na série são caricatas.
Então vejamos. Só mesmo em beirais é que acontece isto e em mais nenhuma aldeia do país:
  • Ninguém vê televisão;
  • Todas as pessoas ouvem a emissão local de rádio;
  • Existem imensos serviços públicos;
  • O(a) presidente de junta de freguesia tem poder político de fazer lei;
  • O(a) presidente de junta de freguesia tem meios para fazer projetos e pode trabalhar a tempo inteiro na sua junta.
  • A GNR tem imensos poderes de intervenção e ação;
  • A GNR fiscaliza tudo e prende pessoas a seu bel-prazer;
  • Existe um médico que faz tudo, mesmo sem apoio de enfermagem e pessoal administrativo;
  • As mulheres andam sempre de saltos altos, mesmo em casa, e sempre maquiadas;
  • Os habitantes exprimem-se num português imaculado, mesmo sem qualquer calão, quanto mais brejeirices - este tipo de linguagem nem na literatura se encontra;
  • Cada um fala na sua vez sem interrupções;
  • Apesar de poderem estar muitas pessoas no café ninguém fala alto;
  • Estão constantemente pessoas em circulação pelas ruas;
  • Quase não existem carros;
  • Os padres são todos moderníssimos;
  • Ninguém pergunta o preço de nada;
  • É sempre primavera;
  • Existem mais adultos em idade ativa que idosos;
  • Todos têm imensa consideração pelos idosos;
  • A escola primária tem crianças;
  • As crianças adoram a sua professora e não qualquer problema ou questão com os pais;
  • Os jovens adultos, nem os seus pais, não demonstram qualquer interesse por frequentar o ensino superior, por serem doutores ou engenheiros;
  • Os negócios não abrem falência apesar de quase nunca existirem clientes;
  • Praticamente ninguém trabalha, ou necessitam de trabalhar apenas algumas poucas horas por dia para sobreviver - lembrado as tribos da amazónia que vivem isoladas;
  • Poucos se dedicam à agricultura, mesmo a de quintal;
  • Não existem conflitos nem pessoas desavindas;
  • Praticamente não existem mexericos;
  • Os homens não falam de futebol e clubismos;
  • Não há um rancho folclórico na aldeia nem um clube de futebol associado ao clube recreativo;
  • As famílias alargadas são uma exceção, e as personagens poucos laços de família têm entre si - parece que não existem primos;
  • O genérico mostra imagens rurais do norte e interior de Portugal, quando depois o espaço edificado da aldeia é da Extremadura/Zona Centro;
Havia muito mais com certeza, mas isso obrigava-me a ver a série com um bloco de notas, coisa que não irei fazer com certeza.
Beirais é assim, uma ficção redundante, mas está muito longe de ser das piores, ainda que possa fazer alguma desinformação. É uma série ligeira e que entretém porém. Espero que ninguém retire dali fontes de ensinamento para descrever e compreender o mundo rural, nem para saber quais as responsabilidades e funções de certas instituições públicas. Mas pronto, lá estou eu a exagerar outra vez. Ninguém vai fazer isso é claro.
Bem, em jeito de resumo, a principal conclusão deste texto é que tenho muitos preconceitos e até alguma sobranceria. Pronto, ai está uma coisa útil identificada. Vou fazer por melhorar. Obrigado Beirais.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Um desafio do P3 sobre o 25 de Abril

Enquanto cronista do P3 - pelo menos assim me foi dito -, de tempos a tempos, para além dos nossos textos sobre as temáticas que mais me agradam e parecem adequadas ao tipo de publicação, surgem alguns outros desafios.
Desta vez o P3 desafiou-me a escrever algo sobre aquilo que familiares amigos me tinham contado sobre o 25 de Abril, sobre as suas histórias e vivências.



Aqui está o resultado: 25 de Abril: as vidas que nasceram da revolução

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Livros de bolso em Paris

Volto de novo a falar de Paris, cidade que, quanto mais conheço, mais inesgotável me parece ser nas suas várias vertentes. Desta vez falo, indirectamente, do metro, também ele imenso e composto de estações surpreendentes. Mas não é obviamente a dimensão e a própria estrutura e funcionamento do metro que pretendo identificar como algo que se pudesse aplicar à nossa terra. O que me parece relevante a aprender com o modo como os parisienses usam o seu metro passa pela gestão pessoal dos “tempos mortos”.
É muito comum, quando viajamos nas composições ou enquanto esperamos pelo comboio, assistirmos ao sacar de livros de bolso por parte dos passageiros. Parece que a grande maioria das pessoas leva, num dos seus bolsos, um livro, independentemente do crescente uso dos smartphones, com acesso contínuo à internet e quem sabe a e-books.
Tentei perceber então porque era tão comum aquele fenómeno. Curiosamente até parecem ser mais os leitores de livros que de jornais. Curioso, especialmente porque se compra e lê um jornal com mais leveza e facilidade – no bom sentido dos termos, é claro. Já um livro exige, no mínimo, uma pequena vontade planeada de iniciar e continuar uma determinada leitura.
Então descobri que existem praticamente versões de todos os livros em formato bolso, e a preços muito interessantes - cerca de metade ou menos do valor do livro em formato padrão. Assim, não é só a vontade natural e o gosto de querer ler dos parisienses, mas também a própria indústria editorial e cultural que está preparada e direccionada para oferecer livros aos consumidores, que lhes permite aproveitar os “momentos mortos”, lendo em qualquer local.
Por cá, sempre que estivéssemos numa sala de espera ou num transporte público, se tivéssemos os mesmos hábitos e opções, talvez fosse mais fácil suportar os tempos de espera, aproveitando para nos enriquecermos com o que é mais valioso – a cultura.
 
Nota: Texto criado para a rúbrica "Viagens (fora) da minha terra", do Jornal de Leiria
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Redundâncias da Actualidade - criado em Novembro de 2009 por Micael Sousa





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