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segunda-feira, 9 de março de 2020

Quando jogámos para planear o sistema de transportes na Marinha Grande

Há um fosso que separa os cidadãos dos especialistas que implementam os instrumentos de planeamento e gestão do território.  Na lógica de planeamento sistémico e racional, os especialistas tendem a trabalhar diretamente para os políticos. São eles que apresentam as soluções de modo a dar resposta às agendas políticas. Depois, quem decide, pelo menos no nosso sistema, são os tais representantes políticos.

Apesar de tudo, existem algumas tentativas de trazer o conhecimento dos cidadãos para o planeamento do território. Mas as tentativas que se têm feito para abrir os processos de planeamento não estão isentas de problemas, e só por existirem não garantem mais qualidade na participação.  Por isso importa procurar alternativas, além da mera consulta ou votação sem mais interação. Na prática, os processos de participação convencionais tendem a ser longos, inconsequentes, participados pelos “suspeitos do costume”, facilmente transformados em campos de batalha e de ódio sem qualquer flexibilidade para mudança de opiniões. Em alternativa, os processos colaborativos devem permitir que os cidadãos partilhem os seus problemas e ideias, mas também têm de garantir que quem participa aprende sobre a complexidade dos assuntos em causa.  A solução é seguir por vias mais colaborativas e informadas para concretizar os ideias da participação.

No passado dia 28 de fevereiro decorreu o Fórum Técnico na Marinha Grande organizado pelo município. Um dos temas foi a mobilidade sustentável, e consequentemente o planeamento do território. Fui um dos oradores e aproveitei para fazer uma pequena simulação com um jogo de planeamento colaborativo simplificado. Sobre o mapa da cidade da Marinha Grande os jogadores, de forma colaborativa e com base numa economia própria, podiam definir ciclovias, percursos de autocarros, implementar elétricos e construir uma circular externa, tal como localizar novos parques de estacionamento. 

Esta demonstração serviu para explorar, na prática e em tempo real, até que ponto os participantes no fórum, especialmente os alunos, conseguiam entrar num exercício de planeamento colaborativo. Em 15 minutos os estudantes voluntários, apoiados pelos outros oradores, e sob o olhar do executivo municipal que estava sentado mesmo em frente ao mapa de jogo, interagiram livremente, respeitando o sistema económico do jogo. Definiram em conjunto três ciclovias, um trajeto de autocarros e outro de elétricos. Aos estudantes juntou-se um outro cidadão local, que, apesar da sua idade madura, interagiu naturalmente com os jovens. Depois também uma professora aderiu à dinâmica. Até os membros do executivo municipal opinavam e reagiam perante as decisões dos participantes.

Depois de um período inicial de alguma surpresa, a atividade foi cativando a assistência para participar. No final, em apenas alguns minutos, mais de 10 pessoas, sem preparação prévia, participaram num processo jogável e de aprendizagem que produziu um desenho colaborativo de prioridades para a rede de transportes locais.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

Treinar, aprender e simular com jogos de tabuleiro

Na semana passada fui distinguido com prémio de formador do ano de 2019 pelo “Forma-te: Portal nacional dos formadores”, no VII encontro nacional de formadores que decorreu no Instituto Politécnico de Viseu. Trata-se de um prémio simbólico, mas que para mim foi imensamente importante. Ajudou-me a manter a sanidade mental, pois nos últimos 3 anos tenho dedicado esforços à inovação na aplicação de jogos de tabuleiro a contextos sérios. Gabarolices à parte, o objetivo desta introdução é para ajudar a fundamentar o que vem a seguir.

A aplicação de jogos à formação não é nada de novo. Quase todos os formadores recorrem a técnicas deste tipo para cativar e motivar formandos. Os professores desenvolvem múltiplos jogos para usar com os seus alunos. Estes esforços são meritórios e quem passa por estes processos de aprendizagem não esquece as experiências. Sabemos, através de vários estudos científicos, que a aprendizagem pela experimentação, pela manipulação de objetos, feitas em grupo e em atividades que geram prazer intrínseco são altamente impactantes e eficazes. Nada de novo também. É por isso que tantos formadores e professores aplicam jogos. Mas será que poderiam aplicar jogos melhores e ter ainda mais resultados? Eu tenho a certeza que sim.

Depois da 2.ª Guerra Mundial surgiram inúmeros jogos de tabuleiro de Hobby, diferentes daquilo que nos oferecem as marcas mais conhecidas, aqueles que vemos nas grandes lojas há décadas. Do hobby surgiram os jogos de guerra, depois os jogos narrativos e, por volta dos anos 80, vindos da Alemanha, surgiu um novo paradigma de jogos de tabuleiro. Estes novos jogos detinham um design cuidado, com simulações temáticas através de sistemas elegantes, tempos de jogo controlados e ausência de eliminação de jogadores. Ganhava quem fosse mais eficiente, resultando de interações que iam além dos jogos destrutivos de soma zero, em que para alguém ganhar algo o outro tinha de perder nessa proporção. Adultos e crianças poderiam jogar estes jogos. Assim foi e assim continua a ser na Alemanha e países das proximidades, onde o ato de jogar é considerado saudável, socialmente incentivado e a produção de jogos uma atividade cultural e intelectualmente respeitável. Esta influência inspirou outros criadores de muitos outros países. Geraram-se múltiplas influências e interações num mundo já globalizado. Hoje chamamos-lhes “jogos de tabuleiro modernos” e as novidades não param de surgir. 

Por isso não precisamos de inventar a roda. Podemos utilizar estes jogos. Podemos adaptar e conjugar vários. Foi isso que me fez receber o tal prémio que falei no início. Foi essa a inovação. Foi também essa a inspiração que me levou à investigação científica de aprofundamento do papel dos jogos como ferramentas de planeamento territorial colaborativo. Veremos quem ganha no fim desta aventura. A minha esperança é que sejamos todos, quando conseguirmos começar a colaborar em processos cívicos de participação, mais divertidos, para uma melhor gestão dos nossos territórios. 

Nota: texto publicado no Diário de Leiria

segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

Prémio formador do ano

Em 2019 recebi o prémio de formador do ano pelo trabalho que tenho desenvolvido através das aplicações de jogos de tabuleiro a contextos sérios, especialmente em contextos de formação. Foi uma surpresa porque isto tem sido muito experimental, mas foi imensamente importante para a motivação necessária para seguir com esta demanda. Estou convencido, porque a experiência e o conhecimento que tenho recolhido através de várias fontes, me tem demonstrado que estas abordagens jogáveis têm mais impacto e eficácia que as tradicionais expositivas. No entanto são imensamente mais trabalhosas, a necessitar de constante inovação e muito sujeitas ao falhanço. Mas também é por isso que são tão interessantes e desafiantes. 


quinta-feira, 21 de novembro de 2019

Usar os jogos de tabuleiro para tornar as empresas mais criativas

A criatividade vai ser o capital do futuro. As empresas terão sucesso se conseguirem captar o potencial criativo dos seus colaboradores. Mas as fórmulas do passado parecem pouco apropriadas para o conseguir. Temos de encontrar novas estratégias, mais centradas nas pessoas e no que as distingue das máquinas.  

Existem muitas opções para estimular a criatividade, e uma das mais poderosas passa pelo recurso a jogos. Os jogos são motivadores intrínsecos, o que significa que transportam, naturalmente, os jogadores para o chamado “círculo mágico”, num estado de alienação consciente onde é possível potenciar a criatividade e novas formas de estimulação cognitiva e comunicativa para a resolução de problemas. É como se os jogos proporcionassem arenas de treino e ensaio em que podemos planear e testar as mais variadas ideias e estratégias, sem os efeitos negativos e consequências da realidade. É aquele espaço imaginário onde podemos estudar e compreender o comportamento humano, as atitudes, a diversidade e imprevisibilidade, as prioridades e reações interativas perante os sistemas de jogo e as opções dos demais jogadores. No entanto os jogos têm a vantagem de terem em si sistemas de regras que permitem avaliar o desempenho e sucesso, tudo isto enquanto garantem diversão – ou seja, motivação. Por serem divertidos são melhores que as simulações. Os jogos são assim espaços de aprendizagem através da experimentação, são modos de aprender fazendo, mas também de produzir. 

Os jogos digitais dominam, pois são imediatamente estimulantes e podem ser utilizados por muitos jogadores em simultâneo e à distância, em múltiplas plataformas cada vez mais portáteis. No entanto os jogos analógicos, que não deixaram de evoluir, exploram a dimensão inigualável da interação presencial. Neste momento o setor dos jogos de tabuleiro está a crescer acima dos 20% ao ano, com volumes de negócios que se estimam em breve passar dos 10 mi milhões de dólares. Milhões de pessoas jogam os novos designs de jogos de tabuleiro: os “wargames”, os “role play games” e os jogos de hobby de modelo “europeu” e “americano”, convergindo para modelo híbridos em que o refinamento dos sistemas se conjuga com as narrativas e temas envolventes. Mais de 5.000 jogos são publicados anualmente, em contínuos processos de inovação e criatividade, cada vez mais acessíveis. Centenas de milhares de pessoas rumam às convenções de jogos, e nós cá temos a maior de todas em Portugal: a Leiriacon. Temos também uma das comunidades de boardgamers mais ativas do país: os “Boardgamers de Leiria” da associação Asteriscos, que implementam projetos de inovação social e educativa, para além de garantirem o espaço para um público e comunidade florescentes. Temos também por cá duas editoras que exportam jogos: “Whats your game?” e a “Pythagoras”. Tudo isto é altamente inspirador e parece estar a fazer emergir um cluster em Leiria.

Estes novos jogos de tabuleiro são também tendências dos polos tecnológicos e financeiros como Silicon Valley e Wall Streat. A D. Dinis Business School reconhece isto, e tem-me permitido incluir estes jogos como introdução à gamification e serious games na sua oferta formativa. Estas abordagens servem para que os jogos possam ser integrados das atividades das empresas de forma a estimular a criatividade e muitas outras competências necessárias para o sucesso. Tenho desenvolvido este tipo de soluções, em paralelo com as minhas investigações académicas sobre o poder motivador dos jogos, que podemos utilizar como incentivadores à participação, teste de ideias e resolução de problemas, que geram processo de cocriação e planeamento colaborativo. Parece brincadeira, mas estamos a falar de coisas bem sérias, com provas dadas, mas onde existe ainda muito espaço de progressão e desenvolvimento. Imaginem se pudessem trabalhar enquanto se divertem a jogar, gerando de forma intrínseca mais motivação, criatividade e até felicidade no mercado de trabalho.

quarta-feira, 4 de setembro de 2019

Para quando uma ludoteca pública de jogos na nossa biblioteca municipal?

Os livros continuam a ser caros face ao poder de compra dos portugueses. Uma das opções para conseguir poupar e manter hábitos de leitura consiste em recorrer às bibliotecas públicas. As bibliotecas podem não ter exatamente tudo o que procuramos, mas se tiverem o mínimo de qualidade e investimento, podem ter bastante, algo muito próximo do que desejamos. No entanto, esses espaços públicos não são meros depósitos de livros. Neles devem haver espaços de apoio ao leitor, recursos humanos que incentivem e apoiem os leitores, mas também outras valências. As bibliotecas têm-se transformado em espaços de cultura acessível. Muitas têm espaços para as crianças brincarem, espaços de lazer, cafetarias, salas de exposições, possibilidade de ver filmes, ouvir musica, entre outras coisas. A biblioteca Afonso Lopes Vieira, a nossa biblioteca pública em Leiria, não é exceção.

Mais para o centro e norte da europa existe algo que tem tornado as bibliotecas ainda mais animadas e frequentadas. Algumas têm ludotecas em que se pode utilizar e requisitar gratuitamente jogos de tabuleiro, podendo aceder aos títulos mais recentes, àqueles que chamamos “jogos de tabuleiro modernos”, fruto de uma industria criativa, sustentável e inovadora. Estes jogos não são baratos, custando várias vezes o preço de um livro. Não aconselho ninguém a comprar sem experimentar primeiro e perceber um pouco da variedade que existe. Nessas bibliotecas as pessoas podem experimentar e partilhar os jogos, reutilizando, o que evita consumos desnecessários. Nelas podem experimentar e testar, com colaboradores informados para auxiliar, tal como fazem com os livros.

Um serviço desta natureza numa biblioteca em Leiria seria valiosíssimo. Estes jogos são formas de cultura, pois geram dinâmicas importantes entre os jogadores, disseminando conhecimento, incentivando a comunicação e sociabilização. São enquadrados em temas e contextos, servindo para comunicar através do ato fascinante de jogar, o que se torna divertido e diferenciador, sem muitas alternativas que possam competir com isso. Estes jogos são um incentivo aos novos criadores das mecânicas conceptuais, investigadores que têm de estudar os temas associados aos jogos de modo a criarem uma abstração coerente, mas também para designers gráficos e de modelação. Um exemplo é o jogo “Lisboa” de Vital Lacerda. Nesse jogo os jogadores competem para contribuir para a reconstrução da capital portuguesa depois do terramoto de 1755. Para isso têm de perceber como funciona o comércio na época, o papel da igreja. Saber quais os poderes dos líderes do estado absoluto. Decidir onde construir os edifícios públicos no novo desenho urbano da cidade, que tipo de lojas incentivar a abrir e que bens produzir. Este é apenas um exemplo. Há muitos outros. 

Ter em Leiria uma biblioteca com estas valências teria um potencial único, especialmente porque estes jogos também poderiam ser utilizados pelas escolas como ferramentas de apoio educativo. Esta ideia não é difícil de implementar, basta querer.

Texto publicado no Diário de Leiria

Jogos de tabuleiro modernos para salvar o Verão

Está um verão atípico. Aquelas atividades que habitualmente fazíamos têm estado condicionadas pelo frio, céu encoberto e até uma ou outra chuva pontual. O clima parece estar instável e a meteorologia uma verdadeira lotaria onde não sai prémio algum. Então o que fazer com este tempo? Teremos provavelmente de ficar mais por casa, ou noutras atividades de exterior mais ativas do que a passividade do simples estender ao sol. 

Então quais às alternativas. Recomendo que, na medida do possível, aproveitarem a companhia dos vossos familiares e amigos para jogarem uns jogos de tabuleiro. Podem fazer muitas outras coisas, desporto e passeios, mas não fiquem só por isso. Recomendo também esses jogos por serem atividades sustentavelmente divertidas que podem fazer independentemente do bom tempo. Só precisam de boa companhia e dos jogos certos é claro. Quer seja em casa, num telheiro, esplanada ou debaixo de um chapéu, muitos jogos adequam-se a interiores e exteriores. Alguns nem sequer precisam de mesas. 

Quando falo de jogos de tabuleiro não me refiro aos clássicos, não porque não possam servir para o efeito, mas porque existem outros muito melhores que até vão fazer mudar a opinião de quem diz que não gosta deste tipo de jogos. Existem novos jogos, produtos criativos de autor, especialmente pensados para adultos, mas que também podem ser jogados por crianças. Vou passar a recomendar alguns deles que podem encontrar com facilidade e ainda ajudar a salvar o vosso verão.

“Passa o Desenho” reimplementa, através de sequências de palavras e desenhos, o antigo jogo do telefone avariado. Em o “Código Secreto” jogam em equipas que tentam adivinhar palavras, quase sempre recorrendo a pistas confusas e que se podem tornar hilariantes. “Ikonikus” serve para expressarem emoções e sentimentos, que no ambiente certo podem fazer-vos chorar de rir. “Soldado Milhões” é um jogo rápido de gestão de recursos, que são cartas, para tentar reclamar mais pontos que os outros. “Rhino Hero”, parece um jogo de crianças porque o é, que os adultos vão adorar enquanto constroem uma torre com cartas, fazem subir o rinocerote e esperam que sejam os outros a derrubar a construção. Existem muitos mais, alguns que se jogam apenas com papel e caneta, uns que simulam “Escape Rooms”, outros que se jogam de forma totalmente colaborativa, e por aí fora. Depois existem os meus preferidos, mas que demoram algumas horas e ocupam imenso espaço de mesa, que se aproximam de simulações económica em que desenvolvemos indústrias, cidades, sistemas de produção agrícola e por aí fora. Esses dariam origem a outro texto.

Isto são apenas alguns exemplos de jogos que podem utilizar nas vossas férias e que não são difíceis de arranjar nem jogar sem os conhecerem previamente. Ao jogarem este tipo de coisas com os vossos familiares e amigos, em atividades presenciais que se olham olhos nos olhos, vão ver como se vão sentir ainda mais próximos. Já temos todo o ano para andarmos em correrias e a comunicar com meio mundo de olhos no ecrã.

Texto publicado no Diário de Leiria.

quarta-feira, 7 de agosto de 2019

Mais um exemplo de projeto culturalmente sustentável em Leiria

A cultura tem de ser sustentável. Por isso se tenta reduzir o rácio de dinheiro investido por participante. Por outro lado, eventos de massas trazem outros benefícios, sendo facilmente associados a fatores multiplicativos. Com muitas pessoas num evento cultural é mais provável que aumentem os consumos diretos e indiretos na economia local. Também se percebe o porquê das réplicas dos eventos culturais para grandes públicos, muitas vezes indiferenciados e descontextualizados. Sabe-se que, segundo aquele modelo, há garantidamente muito público instantaneamente e um modo de poder dizer que foi um sucesso cultural. Mas será sustentável culturalmente?

Quando se fazem múltiplos eventos de massas a partir do nada, e sem um plano de continuidade ou projetos de suporte que aprofundem a dimensão cultural, a sustentabilidade pode ser difícil de garantir. Tão facilmente se mobilizam multidões como de seguida fica o deserto. Se todos fizermos o mesmo, de forma indiferenciada, e se não dermos o devido tempo de maturação para que se criem públicos ávidos de mais e melhor, o esforço pode produzir apenas a sucessos efémeros. A novidade, apesar de ser mais do mesmo, pode acontecer ali ao lado, como subitamente dali pode passar a ocorrer noutro local, feito exatamente pelas mesmas pessoas e nos mesmos moldes.

Existe um projeto que ajudei a fundar e que tem lutado por se implementar de forma sustentável em Leiria. Os Boardgamers de Leiria são hoje um projeto da Associação Asteriscos. Já passaram por várias fases de maturação e estiveram a funcionar noutros locais, instalações, associações e parcerias. O projeto pode ser replicado noutros territórios, tanto que existem grupos semelhantes de apaixonados por jogos de tabuleiro modernos que produzem atividades educativas e culturais noutras geografias, pois estes jogos são formas de inovação e de cultura passíveis de serem utilizados por todos. No entanto dificilmente se poderiam recriar exatamente os Boardgamers de Leiria, pois têm identidade própria, são fruto de anos de persistência e da criação de um público próprio, que cresce de forma sustentável ao seu próprio ritmo. Não nos pareceu sustentável começar por fazer um grande encontro de massas para um publico indiferenciado que dificilmente poderia assimilar toda esta nova vaga cultural de jogos. Em alternativa fazemos encontros todas as semanas. Já vamos quase em 200. Fazemos também encontros mensais para públicos familiares. Visitamos escolas e outras instituições, apostando na formação e divulgação baseada na experimentação na primeira pessoa.

Este caso dos Boardgamers de Leiria serve aqui apenas de exemplo, de um projeto cultural que tenta criar o seu próprio público, consolidando as atividades, para ser sustentável, sem se desvirtuar. Tenta-se aprofundar cada vez mais a variedade de conteúdos, das metodologias, das relações humanas e das aplicações com jogos. Todas as sextas-feiras, a partir das 21h30, podem aparecer gratuitamente para experimentar estes jogos na escola primária dos capuchos. Vão ficar surpreendidos.

Texto publicado no Diário de Leiria

terça-feira, 14 de maio de 2019

O fascínio e o lado sério dos jogos de tabuleiro modernos

Em finais dos anos 80, quando a industria dos jogos digitais estava a arrancar, na Alemanha desenvolveu-se um novo tipo de design de jogo de tabuleiro, aquilo a que hoje chamamos eurogames. À conta disso, surgiam alguns jogos de sucesso internacional como o Settlers of Cantan. Isso marcou o início da era dos jogos de tabuleiro modernos, para salientar as diferenças de design que os caraterizavam dos mais antigos e comerciais. Estes jogos eram pensados, preferencialmente, para adultos, tanto nas mecânicas como nos temas. Evitavam o conflito direto e o fator sorte ao reforçarem a importância das decisões dos jogadores, gerando exercícios de estratégia relevantes. Tinham durações de jogo controladas e eram jogados em grupos de pessoas. Nos E.U.A. desenvolviam-se também outos jogos, mais agressivos, mas igualmente poderosos por cativarem públicos crescentes, e capazes de gerar imersão nessas atividades sociais. Destas duas grandes influencias, germânica e americana, surgiu uma explosão de novos jogos no início do novo milénio. Hoje são publicados mais de 5.000 jogos por ano em todo o mundo, e alguns deles conseguem reunir milhões de euros em plataformas de crowdfunding e em vendas diretas.

Surgem cada vez mais lojas, grupos, associações, convenções, reuniões e projetos que utilizam estes novos jogos analógicos para vários fins. Estamos perante uma pujante indústria criativa que gera produtos culturais de autor, que podem ser utilizados para lazer e diversão, mas também para outros fins ditos mais “sérios”. A região de Leiria é um caso nacional paradigmático desta nova tendência. Temos a maior convenção nacional de jogos de tabuleiro, já fortemente internacionalizada: a Leiriacon. Existem duas editoras aqui sediadas e os Boardgamers de Leiria, da associação Asteriscos, são um dos grupos mais dinâmicos de apaixonados por jogos de tabuleiro no país, ao ponto de terem transformado esse prazer em vários projetos educativos, sociais e culturais que arrastam centenas de pessoas.
Pessoalmente estou a fazer investigação em aplicações de jogos para processos de planeamento territorial na Universidade de Coimbra, e tenho dado várias aulas, workshops e conferências sobre aplicações de jogos em projetos e formação, direcionados, por exemplo, para o desenvolvimento de competências tais como a negociação, criatividade e colaboração. 

Tudo isto pode parecer muito estranho, mas se experimentarem vão perceber do que falo. 


Texto publicado no Jornal de Leiria

terça-feira, 29 de janeiro de 2019

Alguns exemplos de Jogos de Tabuleiro sustentáveis para este Natal

No meu último texto comprometi-me a recomendar alguns jogos de tabuleiro modernos como possíveis prendas de natal, por serem sustentáveis. Mas queria salientar que existem muitas outras opções sustentáveis, especialmente quando optamos por ofertas não materiais. 

Apesar de tudo, os jogos de tabuleiro têm sempre algum impacte ambiental. No entanto, é muito menor que outras opções. Não gastam energia na utilização, têm baixos níveis de obsolescências, altos níveis de durabilidade e podem ser facilmente vendidos e trocados, evitando gerar resíduos depois de, eventualmente, lhes termos esgotado a jogabilidade.  Relembro também as restantes dimensões que os tornam produtos do desenvolvimento sustentável, nomeadamente a dimensão social que têm e a associação a uma nova industria criativa, tal como a promoção cultural da literacia através dos designs de qualidade. Mas o objetivo deste segundo texto passa por recomendar diretamente alguns jogos que podem ser oferecidos ou jogados neste natal, incutindo indiretamente mais sustentabilidade, e convívios mais animados nesta quadra.

Poderia recomendar centenas de jogos, mas vou referir apenas alguns exemplos, dos que são mais baratos e acessíveis, de várias editoras e que podem ser adquiridos com facilidade em Portugal e na região de Leiria. Mas se os quiserem experimentar primeiro podem sempre passar pelos encontros gratuitos dos Boardgamers de Leiria.

Dobble. Jogo em que cada carta tem um objeto em comum com todas demais cartas. O jogador que conseguir descobrir primeiro o seu objeto comum avança no jogo. Este jogo pode ser jogado por crianças a partir dos 3 anos, tal como adultos, mudando a velocidade. 

Catan. Jogo de gestão de recursos, planeamento estratégico e espacial. Os jogadores devem dominar a estatística das localizações para produção de recursos, tal como a arte da negociação, que lhes permite expandir os seus domínios sobre o território. Pode ser jogado por crianças a partir dos 8 anos, e é muito popular entre adultos. 

Dixit. Jogo de narração criativa. Os jogadores recorrem a cartas ricamente ilustradas de forma surrealista para contarem pequenas histórias. Estimula-se a comunicação de forma estratégica e criativa. Indicado para toda a família, podendo ser jogado por 12 pessoas ao mesmo tempo.

Passa o desenho. O jogo do telefone avariado, em que cadernos vão rodando pelos jogadores, criando sequencias hilariantes de palavras e desenhos. É comum chorar a rir no final de uma rodada. 

Mistacos. Jogo de empilhar cadeiras, em que se treina a destreza e um certo nível de estratégia estrutural. 

Skull
. Jogo de bluff com muita tensão, que pode ser jogado rapidamente até 6 pessoas, dada a sua simplicidade. Os jogadores jogam ocultamente peças ou tentam adivinhar por leilão as peças dos adversários, tentando evitar as caveiras.

Soldado Milhões. Jogo de cartas em que cada jogador deve gerir os seus recursos, tentando ganhar cartas de pontos em cada rodada por leilão. Todos começam com os mesmos recursos para os leilões.

Ofereçam produtos sustentáveis no Natal: jogos de tabuleiro modernos

O Natal está a chegar e importa falar de sustentabilidade. Longe de mim querer ser moralista e dizer que esta época é o cúmulo dos vícios consumistas e da hipocrisia. Até pode ser, mas também é muito mais que isso. Acho mesmo que é pena ser somente uma vez por ano, mas antes uma vez que nenhuma. No pior dos caos, pelo menos nesta época somos incentivados a pensar nos outros.

Por isso, quase todos vão tentar escolher os melhores presentes para oferecer, fazendo esticar o orçamento. Proponho acrescentar também, às limitações orçamentais, a preocupação para com a sustentabilidade. Ou seja, será que aquilo que vamos oferecer é sustentável em todas as vertentes do termo: ambientalmente, socialmente, culturalmente e economicamente? 

Proponho que considerem os novos jogos de tabuleiro por serem ambientalmente mais sustentáveis, pois são construídos em materiais facilmente recicláveis e têm baixa taxa de obsolescência. Se o jogo for bom vai dar anos de diversão, podendo ser vendido depois caso não vos interesse mais. Isso será possível porque os materiais tendem a durar e o design do jogo não se desatualiza se for bom. Esse jogo, por essa razão, só se transformará em resíduo depois de muita utilização. Estamos perante uma vertente da economia circular, em que os produtos são constantemente utilizados, na mesma ou em novas formas, evitando-se a produção de um resíduo sem o máximo aproveitamento. Para quem tenha mais curiosidade, estes conceitos estão a ser abordados em Leiria no projeto Urbanwins. Por outro lado, estes jogos não consomem energia para serem jogados, logo baixam consideravelmente a sua pegada ecológica, tal como dispensam qualquer outro tipo de periférico eletrónico. Uma mesa, cadeiras, ou até o chão servem para os jogar. 

Os jogos de tabuleiro são potenciadores do convívio social presencial, promovendo e reforçando os laços sociais, com toda a riqueza da comunicação multidimensional. Se uma imagem vale mais que mil palavras, um olhar transmite mensagens únicas. As emoções sentem-se mais ao vivo e com estes jogos podemos sentar famílias inteiras à mesa, promovendo a aproximação intergeracional. 

Do ponto de vista económico os jogos de tabuleiro são muito relevantes, pois podemos comprar produtos nacionais, e por vezes até locais. Podemos apoiar as editoras e criadores, que geram emprego e uma produtividade concreta, real e exportável. Apoiamos uma industria criativa e abrimos novos caminhos para mais desenvolvimento, pois os jogadores de hoje podem ser os criadores de amanhã. Por ouro lado, o mesmo produto pode ser usado por varias pessoas, podendo ser uma prenda coletiva mais barata.

Até agora falei muito no abstrato. Não recomendei um único jogo. Deixo aos leitores a liberdade de refletirem sobre isso. Se forem procurar por estes novos jogos vão encontrar uma imensidão de novas criações. Não vos quero retirar esse prazer. Mas também não vos quero deixar órfãos destas ideias e sugestões. Por isso, num próximo texto, irei fazer recomendações concretas resumidas. Até daqui a 15 dias!

Texto publicado no Diário de Leiria

segunda-feira, 12 de março de 2018

A Leiriacon e a promoção dos jogos de tabuleiro sustentáveis

Todos os anos acontece na região de Leiria uma convenção de jogos de tabuleiros. Foi a primeira em Portugal. Em 2018, de 1 a 4 de março, realiza-se a XIII edição, tendo-se transformado na maior convenção da especialidade no país. Muitas centenas de pessoas rumam à nossa região, mais concretamente à Praia da Vieira para participar neste evento. Vêm de todos os cantos do país, pessoas que, individualmente ou inseridas em grupos, clubes e associações, fazem dos jogos de tabuleiro um passatempo ou atividade profissional. Participam na Leiriacon também muitos estrangeiros que juntam o útil ao duplamente agradável, desfrutando das maravilhas desta terra e da qualidade do evento. Muitos são representantes de editoras, autores e designers que fazem destes jogos forma de vida, numa indústria que representa milhões de euros, mas onde não se joga a dinheiro.

Serve este exemplo da Leiriacon para abordar o modo como os jogos de tabuleiro modernos se estão a implementar e assumir na atualidade, competindo com outras formas de entretenimento. Ao contrário dos outros concorrentes lúdicos, os jogos de tabuleiro podem ser produtos facilmente sustentáveis. De notar que não necessitam de energia ou outros equipamentos para serem utilizados e que podem ser construídos com materiais reciclados. Facilmente podem ser vendidos e revendidos entre os utilizadores, sem depreciação significativa do bem, criando uma vida útil maior que a maioria dos outros produtos. Ao contrário dos jogos de vídeo, um jogo de tabuleiro de qualidade com 5 ou mais anos não está desatualizado. A mesma cópia pode ser jogada por várias pessoas em simultâneo, sem necessidade de mais suportes. Pode ter um ciclo de vida de produto ainda maior quando se lhes juntam expansões, que são pequenos módulos. Estes jogos de tabuleiro não se avariam, quanto muito podem estragar-se com o uso, conseguindo-se substituir facilmente parte dos seus componentes. Não geram resíduos de dificil reciclagem ou eliminação.

Os jogos de tabuleiro têm outra vantagem que se relaciona com a sustentabilidade económica. Ao contrário dos jogos de tabuleiro correntes, os novos jogos são peças de design diferenciado. Montar um jogo de tabuleiro com qualidade é logisticamente muito mais simples que criar um jogo de vídeo de topo, não envolvendo avultados investimentos financeiros. Podem inclusivamente ser uma oportunidade de trabalho para criadores, designers gráficos e para a indústria da região: papel, madeira e plásticos. A necessidade de componentes pode alimentar o setor primário e secundário, tal como toda a cadeia de distribuição, promoção e venda do setor terciário.

A utilização dos jogos de tabuleiro pode tornar determinadas atividades mais atrativas. Juntando a sustentabilidade ambiental e económica aos momentos sociais que proporcionam estamos perante um produto verdadeiramente sustentável, porque também é socialmente impactante. Por isso não podia deixar de referir a importância da Leiriacon no fortalecimento das atividades dos jogos de tabuleiro modernos na região e no país.

Texto publicado no Diário de Leiria em 1 de março de 2018

sábado, 17 de fevereiro de 2018

Dar sustentabilidade ao voluntariado

Fazer voluntariado pode trazer vantagens a quem o pratica e dele beneficia. Mas nem tudo deve ser transformado em voluntariado e nem todas as pessoas o podem fazer constantemente. O voluntariado permite realizar algumas atividades que não poderiam ser economicamente sustentáveis de outra maneira, não se devendo substituir atividades económicas geradoras de emprego. O emprego tem um valor social estruturante importantíssimo. Substituir emprego por voluntariado é uma subversão pouco sustentável a médio e longo prazo.

Ser voluntário é assumir uma função cujos os ganhos estão para além dos benefícios materiais e monetários. Sabemos que existem muitos outros valores que mobilizam as pessoas, especialmente nas sociedades pós-industriais, onde, felizmente, a grande maioria das necessidades básicas estão garantidas, permitindo o surgimento de novas prioridades.

No entanto, os voluntários tendem a atingir um nível de saturação nas atividades que realizam, uma vez que o fazem livremente e sem remuneração. Fazer voluntariado, mesmo que seja perante um período de tempo curto, é uma forma de criar uma rede social, de ganhar novas experiências, de aprender coisas novas e, para alguns, uma forma de ocupar o tempo com algo de útil. Mas muitas vezes o voluntariado é entendido como um frete, uma atividade pesada, quase um castigo expiador autoinfligido.

Vivendo na pós-modernidade, fazemos parte de movimentos de crescente fragmentação social, individualismo, relativismos de toda a ordem, frutos de uma crescente liberdade. Cada vez mais as pessoas procuram o que as tornam felizes e fazem sentir relevantes. Fazer fretes ou algo a contragosto não encaixa neste novo sistema valorativo, por vezes nem mesmo quando se é bem pago para isso. Isto leva a que as ações de voluntariado vistas como vantajosas, mais-valias, para quem as realize tendam a ser efémeras e reduzidas. O segredo para dar sustentabilidade ao voluntariado é torná-lo algo agradável e gratificante para quem o pratica, sem pressões e obrigações.

Assistimos a esse fenómeno de voluntariado nos Boardgamers de Leiria. É algo transversal que queremos incutir na associação Asteriscos e todos os seus projetos. Temos conseguido fazer várias atividades de puro voluntariado, apoio educativo e integração social com jogos de tabuleiro porque os nossos voluntários são apaixonados por esses jogos, porque gostam genuinamente deles e porque ninguém é obrigado a nada, num grupo onde reina a boa-disposição. Quando se descobre algo que conjuga uma paixão e o impacto social encontra-se a fórmula de dar mais sustentabilidade ao voluntariado e a oportunidade para desenvolver novos projetos e mais iniciativas, úteis para os voluntários e para a comunidade em geral. Se a isto juntarmos uma organização horizontal, que trabalhe de forma colaborativa, esse potencial cresce ainda mais. Só não nos podemos esquecer que este e outros voluntários nunca deverão substituir empregos e outras atividades formais.

Texto publicado no Diário de Leiria em 1 de fevereiro de 2018

Jogos de tabuleiro modernos: uma aposta no desenvolvimento sustentável

Há uma nova tendência que se tem afirmado no estrangeiro e que agora vai chegando a Portugal. Apesar da indústria de videojogos ser imensa, ter um poder económico e cultural massivo, os jogos de tabuleiro não desapareceram. Depois de algumas décadas de reajuste os jogos de tabuleiro souberam reinventar-se a si próprios, tanto que hoje se apelidam de “modernos” para melhor explicar o fenómeno em causa.

Há várias razões para este ressurgimento, que se deve muito à influência alemã, sendo um dos grandes polos de influência da indústria, tanto no design/produção como no consumo. A partir dos anos 80, quando o setor apresentou sinais de degradação, em vez de desistência surgiu um investimento grande em design. Os jogos de tabuleiro passaram a ser peças de design aperfeiçoado e diferenciado, com autores para a conceção mecânica da ideia e para o design gráfico e dos demais componentes materiais. Hoje, na capa de um jogo de tabuleiro moderno, encontramos de imediato o nome dos autores, tal como ocorre nos livros. Os jogos também se especializaram, com títulos adequados a diferentes idades e gostos temáticos.

Estes novos jogos não são uma resposta reacionária à tecnologia, muito pelo contrário. Eles só atingiram a escala e qualidade atual porque as novas tecnologias de informação e comunicação permitiram trocar facilmente informações entre criadores, produtores e consumidores desta nova tendência que se transformou em passatempo de milhares de pessoas. O desenvolvimento dos próprios jogos também melhorou com as novas tecnologias.

As vantagens diferenciadoras dos novos jogos de tabuleiro explicam o seu sucesso. Ao contrário de muitos videojogos, os jogos de tabuleiro aproximam as pessoas, fomentando a sociabilidade presencial. Nos bons jogos os melhores componentes são as pessoas e seus comportamentos. Com isso surgem imensas potencialidade de utilização lúdica ou como ferramentas adaptadas a determinados contextos. A título de exemplo, utilizámos no projeto UrbanWins parte de um destes jogos de tabuleiro para dar início ao processo colaborativo.

Do ponto de vista ambiental estes jogos são bastante sustentáveis. Podem ser feitos de materiais reciclados, têm um grande tempo de utilização, menos suscetíveis aos ciclos de obsolescência, não precisam de energia e podem ser jogados por várias pessoas em simultâneo. A única energia associada à sua utilização são as emoções e atividades cognitivas, o que transforma estes jogos em promotores de exercício mental. Do ponto de vista económico os jogos de tabuleiro são também uma oportunidade para as industrias criativas, de pequena e média escala.

Não foi por acaso que referi o potencial dos jogos de tabuleiro nas vertentes do desenvolvimento económico, ambiental e social. Estes são três pilares básicos do conceito de desenvolvimento sustentável, aos quais se foram juntando mais vertentes, todas elas compatíveis com as possibilidades dos jogos de tabuleiro. Não tenho dúvidas de que os jogos de tabuleiro fazem parte do nosso futuro, que tem forçosamente de ser mais sustentável.

Texto Publicado no Diário de Leiria em 4 de janeiro de 2018

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Jogos sustentáveis para Sociabilizar e Desenvolver

Os jogos de tabuleiro estão muito longe de ser uma novidade. Basta pensar nos séculos de sucesso do xadrez.

No entanto, nos últimos anos têm surgido no mercado nacional cada vez mais opções para jogar em sociedade, à mesa e sem gastar energia. Para além dos conhecidos jogos de tabuleiro mais tradicionais e habituais, surge agora uma imensa panóplia de jogos de maior complexidade e iteratividade, onde cada partida é sempre diferente e desafiante, sem que a sorte seja um fator preponderante. Estes novos jogos, tendencialmente de origem germânica, são uma novidade capaz de divertir, entreter e estimular com desafios estratégicos, públicos heterogéneos. Esses jogos, com temas e mecânicas diferentes para todos os gostos, criam uma competição iterativa onde vence quem melhor souber gerir e otimizar os recursos disponíveis, desenvolvendo-se rumo aos objetivos de vitória em causa, atendendo sempre às opções e relações com os demais jogadores. Existem jogos tão diversos como: gestão agrícola; redes energéticas; transportes; comércio; construções de cidades; desenvolvimento de civilizações; entre muitos outros.
Insisto na divulgação destes jogos pois criam novas oportunidades de entretenimento e até de desenvolvimento cognitivo. Estes jogos fomentam exercícios intelectuais complexos e divertidos, modos de sociabilizar entre amigos, e evitar as já imensas horas que passamos em frente a monitores e afins. São uma oportunidade para as próprias famílias, dispensando os excessos em frente a televisões, computadores e videojogos. Não é por acaso que os jogos de tabuleiro ganham novo terreno e complexidade, surgindo cada vez mais como alternativa a outros modos de entretenimento caseiro. Podem aproximar amigos, pais e filhos, de um modo construtivo e sustentável.

O sucesso (e origem) deste tipo de jogos no centro e norte da europa, especialmente na Alemanha, pode levar-nos a outras reflexões. Primeiro, porque são povos muito mais habituados a sociabilizações entre portas; e depois porque são países que se caraterizam por diferentes tipos de organização e de empreendedorismo implícitos. Isto poderá não querer significar nada, e até nem haver qualquer relação entre os hábitos lúdicos e as realidades socioeconómicas desses países, mas não deixa de ser curioso e de dar que pensar!
Por cá a realidade vai mudando. Começam a surgir jogos complexos de tabuleiro nacionais, e na nossa região, na Nazaré, ocorre todos os anos uma convenção nacional de jogos do género. Vale a pena experimentar!
Texto publicado no "Diário as Beiras" e "Diário de Leiria"
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Redundâncias da Actualidade - criado em Novembro de 2009 por Micael Sousa





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