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segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

Uma evitável Democracia desinformada

Acreditava-se que quando as sociedades fossem democráticas poderíamos ter espaço de igualdade e liberdade, que poderíamos transitar de um sistema tendencialmente representativo para modelos onde os cidadãos se envolvessem mais nos assuntos cívicos. Esperava-se que a transição fosse gradual e progressivamente geradora de governos onde todos os cidadãos pudessem ser integrados, pois todos teriam o mínimo de competências e discernimento para tal. Esperava-se que com tudo isso, com a melhoria das condições de vida gerais e da elevação dos níveis de educação, uma sociedade mais justa emergisse. Era mais ou menos assim a utopia democrática.

Estaremos apenas a viver um momento de crise antes que os sistemas democráticos se aproximem destes objetivos ou estamos perante uma falência generalizada do modelo? Isto parece muito negativista, no entanto uma dose de realismo é necessária para construir o otimismo democrático que necessitamos. Chamam-se aos movimentos de manipulação política com sucesso eleitoral: populismos. Parece-me uma designação infeliz, pois parte-se do princípio de que a ignorância e o egoísmo são o caminho para a popularidade política entre as populações. Ou seja, de que a população só é mobilizável por emoções negativas, sem outras alternativas.

Sabemos que as emoções negativas são poderosos estimulantes para a ação política. Poucas foram as revoluções sem essa génese. Os jornais vendem mais quanto piores as notícias. Exemplos não faltam. No entanto tudo são construções sociais, que nos influenciam individualmente, mas que também podemos influenciar. É uma questão de consciência, vontade e ação. No entanto, caso nos esqueçamos, por ser algo intrínseco ao nosso modo de viver e pensar, vivemos uma sociedade consumista e hedonista. Onde consumimos por prazer e como forma de ser. São incontáveis as múltiplas formas que nos são proporcionadas para atingir o prazer. E isso tem sido uma forma de evitar, pelo menos nos países mais desenvolvidos economicamente, totalitarismos e extremismos. Mas a nossa sede por mais é insaciável e um mundo inteiro parece não chegar, tanto que não nos apercebemos que só temos mesmo um planeta. 

Então e não haverá esperança? Creio que sim ainda que não seja fácil. Parece-me que a solução terá de passar por um conjunto integrado e interligado de solução, adaptadas aos nossos tempos. Acusar as pessoas não surtirá efeito. Proporcionar novas formas de combater a ignorância sim. Aprender não tem de ser aborrecido. Assumir uma cidadania ativa também não. Há que conhecer aquilo que cativa as pessoas e usar essas técnicas e designs para outros fins, além do mero consumo e impulsionado pela simples razão de acumular capital. O consumo pode ser mais cultural, mais sustentável ainda que material e servir para acumular uma sabedoria rumo à tal utopia democrática. Temos de ultrapassar o limiar do tédio e do desagradável para a democracia não perecer, garantindo qualidade de vida geral. Sem isso, não há democracia que sobreviva.

 Nota: texto publicado n Diário de Leiria

quinta-feira, 21 de novembro de 2019

Por uma cidadania divertidamente ativa

Existem muitas teorias para explicar a ausência de mais participação cívica e política por parte dos cidadãos. Se antigamente era por falta de informação ou conhecimentos, ou até mesmo por ausência de liberdade, hoje não é bem assim. Com isto não significa que todas as pessoas estejam informadas de tudo e preparadas para todas as possíveis formas de participação que podem assumir. Por outro lado, significa que, havendo vontade e fazendo um esforço para saber como proceder, é possível ter uma atitude mais ativa no que toca aos assuntos da governação coletiva, que é como quem diz: Política. 

Esperava-se que com a liberdade, generalização de níveis cada vez maiores de educação e acesso à informação, as participações cívicas e políticas aumentassem, e com isso a democracia prosperasse em formas cada vez mais participadas e diretas. Na prática isso não tem sido bem assim. As mobilizações têm ocorrido, mas mais por causas pontuais, associadas a tendências e novidades, ou por resposta a sentimentos de injustiça, habitualmente por revolta. Existe muito menos ativismo positivo, no sentido em contribuir para melhorar e aprofundar o modo como as sociedades funcionam. Talvez isto faça parte da natureza humana, tal como faz parte da natureza da dita classe política a sua pouca vontade em mudar o paradigma, pois seria abdicarem do seu poder, mesmo que seja um poder de aparências.

Típico dos nossos tempos é a constante concorrência de atividades. Nunca tivemos tantos meios para poupar tempo nas mais diversas tarefas e ao mesmo tempo menos tempo para tudo o queríamos fazer. A concorrência é imensa, crescendo o rol de atividades relacionadas com lazer e diversão. Vivemos em sociedades hedonistas e consumistas em que os indivíduos procuram o seu prazer individual. Existe oferta para todos os tipos. Por isso temos incentivos a procurar e seguir apenas aquilo apreciamos, dificilmente optando por coisas que nos incomodam. Parece mais ou menos óbvio.

Participar na vida cívica, em debates, discussões, manifestações, em associações, processos de colaboração e até em eleições tende a ser pouco divertido, pelo menos para a esmagadora maioria das pessoas. Os processos de consulta pública são burocráticos, cheios de papelada técnica para ler e tentar compreender. Os debates, por falta de moderação e de design dos processos, levam a sessões longas e tediosas, onde ódios são destilados e o confronto afasta os menos beligerantes. As eleições são dominadas por partidos que obedecem a lógicas de poder instituído, onde há muito pouco espaço para inovar e abertura a novos atores. Parece que tudo é transformado em aborrecimento, quando o mundo do consumo, físico e imaterial, está cheio de alternativas cativantes. Por isso optamos por consumir. 

A solução não é simples, apesar de óbvia, partindo do princípio que queremos uma democracia participativa. Por isso há que tornar a cidadania ativa mais interessante, mais fácil e mais divertida. Trata-se de uma revolução, mas que não faz correr sangue, quanto muito umas lagrimas de riso.

quarta-feira, 12 de junho de 2019

Que tipo de participação cívica pretendemos?

Incentivar à participação cívica em assuntos de interesse público é uma intenção recorrente de muitos agentes políticos e institucionais. Mas afinal o que é participar nestes contextos? Basta assistir e marcar presença? Ou será mais que isso?

A participação cívica só é sustentável se for agradável para quem se envolve e a concretiza, mesmo que seja meramente passiva. Se as pessoas sentirem que estão a perder o seu tempo dificilmente voltam a participar. Se o envolvimento pessoal for inconsequente, depois de um esforço para participar ativamente, surge frustração e até repúdio pelas próprias iniciativas. Os processos participativos, quando não são meras propagandas políticas ou de reforço de lóbis obscuros, são trabalhosos e exigentes para todos os intervenientes, podendo facilmente correr mal. Há que ter noção das consequências desses falhanços ou desvirtuamentos. A crítica destrutiva e do ódio é facilmente difundida pelos mecanismos de comunicação ao alcance dos cidadãos. É mais fácil destruir que construir.

Então, sempre que se organiza um evento, uma dinâmica ou um qualquer processo onde a participação cívica seja importante, há que ter noção dos efeitos de sustentabilidade da própria participação. A competição por ter instantaneamente mais participantes pode ser perniciosa a longo prazo. Podemos facilmente saturar as pessoas com processos mal planeados e inúteis, que depois condicionam outras atividades realmente relevantes e desenhadas para reforçar o hábito cívico participativo nas comunidades.

Mas para fazer este tipo de dinâmicas não bastam as boas intenções. Existem técnicas de organização e encadeamento de atividades dos ditos processos participativos, que podem a recorrer a ferramentas tão inesperadas, mas necessárias, como jogos. É possível levar a participação a níveis ainda mais profundos como os modelos deliberativos e até colaborativos. Estes modelos têm sido testados em casos piloto, estando um desses projetos a decorrer em Leiria neste momento: o Urbanwins. Nestes processos todos os participantes estão em pé de igualdade e participam na produção e discussão de ideias, tomam decisões conjuntas através de metodologias orientadas para resultados e propostas concretas sobre o tema em causa. No caso do Urbanwins consiste em abordar as problemáticas dos resíduos urbanos. O produto final nestas metodologias consiste num trabalho coletivo equitativo, muito debatido e tecnicamente apoiado.

Recentemente realizou-se em Leiria um fórum dedicado à utilização civil do base aérea de Monte Real. Os promotores desse fórum reforçaram a vertente participativa e agregadora deste fórum, no entanto decorreu em moldes tradicionais e formais. Havia oradores que comunicavam para uma plateia, que no máximo poderia colocar questões no final. Poderia ter sido replicado o conhecimento e experiência do Urbanwins. Seria trabalhoso, mas foi pena. Só o futuro dirá se existe abertura para implementar as metodologias participativas, deliberativas e colaborativas em Leiria, especialmente nos grandes assuntos de interesse público.

segunda-feira, 22 de abril de 2019

O queremos dos políticos e da democracia?

Vivemos então em liberdade democrática, apesar de todas as falhas que conhecemos. Podíamos dizer que a utopia era a solução, no entanto seria utopia considerar que saberíamos definir que tipo de utopia nos dava jeito. Estaremos então num beco sem saída? 

Acho que não, porque a democracia não é uma obra acabada e totalmente definida, mas um produto em melhoria contínua. Isto só por si é uma posição política, quiçá uma ideologia se alguém a doutrinar. E é segundo este processo, rumo a uma democracia melhor, que devemos questionar sobre o queremos dos nossos políticos e qual o nosso papel em tudo isto. 

Dizem que a meritocracia é um mito instituído apenas para manter as elites dominantes. Dizem também que a igualdade de oportunidades total é impossível. Dizem muitas coisas, os outros e nós mesmos. Isto significa que gostamos de dizer coisas. Aí está um pilar essencial da democracia: queremos fazer-nos ouvir e não penas ouvir o que os outros dizem. Por isso queremos que os políticos nos ouçam, porque sabemos hoje que são pessoas tão banais como nós. No entanto persiste um défice global de disponibilidade para ouvir, acentuado pela crescente vontade de todos quererem falar ao mesmo tempo.

Adoramos narrativas e metáforas.  Os políticos sabem disso e nós por vezes esquecemo-nos. Mas na prática queremos mais que uma boa história. Queremos políticos que nos ouçam e façam o que lhes pedimos, mesmo quando não sabemos o que queremos. É um paradoxo, porque queremos mais do que as condições básicas de vida. Desejamos coisas muito mais complexas, sem limites como dizem os economistas, querendo-as independentemente dos recursos que este nosso mundo nos oferece, tal como nos alertam os ambientalistas. E queremos tudo agora, porque duvidamos do amanhã.

Assim, qualquer pessoa que ouvisse, fizesse a vontade dos cidadãos, mas tivesse uma noção dos limites do possível, seria um bom político? Talvez fosse uma boa base de partida. Mas para ser isso tudo é necessário ter muitas qualidades e competências, algumas indefinidas. Qual será a formas de garantirmos tudo isso? Será através do atual regime político, em que não temos forma de avaliar os políticos e as políticas durante os períodos de governação? Como mudar o sistema de listas fechadas? Qual a segurança do voto se os políticos não seguem claramente linhas de orientação de base que assumem, as chamadas ideologias que supostamente os distinguem? Qual a validade dos programas eleitorais descartáveis na hora da governação? E qual o papel de todos nós na melhoria do próprio sistema político? Podemos ser mais que meros espetadores? Haverá forma de nos envolvermos na governação?

Parece-me que estamos perante um momento de mudança de paradigma político. Sabemos que precisamos de mudar e reformar, experimentar coisas novas, embora não saibamos exatamente o quê, de que forma e como. No entanto começam a surgir algumas soluções que abordarei futuramente. São riscos que a democracia precisa de correr para continuar a evoluir e evitar uma estagnação que a fará morrer.

Texto publicado no Diário de Leiria.

terça-feira, 29 de janeiro de 2019

Insustentabilidade democrática: as secas políticas

Hoje em dia são milhentas as solicitações que temos nas nossas vidas. Independentemente da nossa capacidade financeira, existem muitas alternativas constantemente a concorrer pelo nosso tempo. Nisto incluem-se principalmente as atividades que nos dão prazer. Há cada vez mais uma concorrência de prazeres e o consequente evitar de tudo o que nos desagrade. Mas não adiante querer ser um purista e recriminar quem segue a busca pela felicidade através dos seus prazeres individuais, esquecendo de dedicar parte do seu tempo a alguns deveres sociais para com os demais. Não vale mesmo a pena querer fazer esse papel moralista pouco popular, porque só nos vai amargurar e afastar ainda mais as pessoas que queremos, eventualmente, convencer a mudar de atitude.

A solução passa por tornar as atividades cívicas, sociais, politicas e tudo o que seja relevante para a nossa comunidade, mais atrativas. Em algumas atividades é mais fácil gerar gratificações imateriais - ditas felicidade - que se relacionam a sociabilização e integração com a comunidade. Noutras é mais difícil, especialmente na vida política, tão carregada de modos de fazer e estigmas que condicionam a boa-vontade de fazer algo mais pelo efeito coletivo do que pelo benefício individual. Por isso vou centrar-me no exercício da atividade política, pois tenho alguns anos de experiência nessas lides. 

Os mecanismos de participação política não são cativantes para a maioria da população. Uma coisa não tem de ser menos séria para ser divertida. Pode parecer contraditório, mas não é. A seriedade relaciona-se mais com a coerência nestes casos. Podemos ser sérios nas nossas intenções e princípios políticos ao conduzir processos divertidos de produção de trabalho político, tal como na implementação dessas ideias e medidas. A política não tem de ser um antro de pessoas carregadas, maldispostas e cinzentas, sempre dadas a agressividades e facciosismos injustificados. Não temos de andar à pancadaria com a oposição em democracia. Podemos discordar e devemos tender para algumas convergências e acordos. Nada impede que se utilizem dinâmicas interativas com os cidadãos para cativar, usando dinâmicas lúdicas e até jogos. 

Já assisti a atividades políticas incrivelmente aborrecidas, especialmente pela forma como estavam construídas. Já perdi horas intermináveis sem qualquer resultado útil final em reuniões políticas. Já me cobriram de tédio com monólogos monocórdicos. Já ouvi tanta vez a mesma coisa, sempre das mesmas pessoas, que o sentimento de repetição se torna angustiante. 

Em certos casos parece que se faz de propósito para que os processos políticos sejam longos, inconsequentes, desinteressantes e tudo o mais que afaste as pessoas dos movimentos ou partidos políticos, para que se mantenham coutadas de uns quantos. 

Mas esta realidade não é motivo para desistir da participação política, pois seria o fim da democracia. A própria democracia tem de continuar a ser melhorada e adaptada para persistir e ser sustentável.

Texto publicado no Diário de Leiria

Para sociabilizarmos não basta estar com outras pessoas

Nesta quadra vamos estar, se tivermos uma vida social normal, em múltiplos eventos sociais. Com isso estou a contar todo o tipo de festividades e encontros, desde os momentos em que vamos tomar um café a dois até às festas de multidões. 

Todos estes ajuntamentos humanos têm razões próprias de ser, e ocorrem por diversos motivos. A duração e objetivos são dos mais variados. No entanto, todos eles, para funcionarem, para serem agradáveis, obedecem a determinados sistemas de regras sociais, mais ou menos formais. 
Juntar pessoas num mesmo espaço e esperar que a magia da sociabilização aconteça é puro otimismo. Todos os grupos necessitam de um sistema de comunicação e relacionamento para que a sociabilização possa fruir. Por vezes até uma conversa continuada é difícil de garantir.

Nos dois últimos textos referi-me aos jogos como ferramentas para garantir animação nas festividades. Mas não explorei o porquê disso. A utilização de jogos relaciona-se com algo que se estuda nas ciências sociais e humanas, especialmente nos estudos da colaboração. Para haver colaboração é necessário partilhar um determinado sistema de valores e de regras sociais.  Os jogos garantem isso, o sistema de regras e a dinâmica que, nem que seja por um breve momento, submete todos os que queiram jogar ao mesmo sistema de sociabilização e expressão individual. Se esses jogos forem potenciadores de boa disposição, se incentivarem a criatividade e a comunicação, servem de desbloqueadores para os nossos processos de sociabilização. Sociabilizamos naturalmente enquanto espécie, embora isso seja potenciado pelas tais regras e valores, caso contrário facilmente podemos cair na apatia ou até conflito e repulsa alheia.

Juntar simplesmente pessoas para que elas trabalhem em equipa não é suficiente. Há que definir o sistema de funcionamento do grupo, as regras e os objetivos, mas de forma a que acomode a individualidade e a necessidade de flexibilidade para a identidade coletiva em construção, tal como dos objetivos para os quais o dito grupo existe, sempre sem esquecer a força do individualismo. 

Assim, nestas festas de final de ano, não basta comer e beber em conjunto. Isso só ajudará, se em torno da comida se gerar uma conversa - uma análise do que se come e como come pode ser uma opção -, se existirem canais de participação para garantir essa expressividade. Se forem simplesmente comer, como ato mecânico de encher a barriga, em grupo, pouco irão sociabilizar. Recomendei jogos e recomendo igualmente mais coisas, tão simples como uma conversa que possa ser partilhada na construção de uma identidade de pertença coletiva, sobre algo que envolva as pessoas, as traga para o momento de sociabilização, sem entrar em monólogos e dominâncias de uns sobre os outros.
Não temos de ficar em grupo isolados enquanto adoramos os telemóveis. Quando isso acontece é sinal de que o sistema de valores e de partilha não está definido, porque estão simplesmente uns com os outros num vazio relacional. Já pensaram nisso? 

Texto publicado no Diário de Leiria

sábado, 17 de fevereiro de 2018

Dar sustentabilidade ao voluntariado

Fazer voluntariado pode trazer vantagens a quem o pratica e dele beneficia. Mas nem tudo deve ser transformado em voluntariado e nem todas as pessoas o podem fazer constantemente. O voluntariado permite realizar algumas atividades que não poderiam ser economicamente sustentáveis de outra maneira, não se devendo substituir atividades económicas geradoras de emprego. O emprego tem um valor social estruturante importantíssimo. Substituir emprego por voluntariado é uma subversão pouco sustentável a médio e longo prazo.

Ser voluntário é assumir uma função cujos os ganhos estão para além dos benefícios materiais e monetários. Sabemos que existem muitos outros valores que mobilizam as pessoas, especialmente nas sociedades pós-industriais, onde, felizmente, a grande maioria das necessidades básicas estão garantidas, permitindo o surgimento de novas prioridades.

No entanto, os voluntários tendem a atingir um nível de saturação nas atividades que realizam, uma vez que o fazem livremente e sem remuneração. Fazer voluntariado, mesmo que seja perante um período de tempo curto, é uma forma de criar uma rede social, de ganhar novas experiências, de aprender coisas novas e, para alguns, uma forma de ocupar o tempo com algo de útil. Mas muitas vezes o voluntariado é entendido como um frete, uma atividade pesada, quase um castigo expiador autoinfligido.

Vivendo na pós-modernidade, fazemos parte de movimentos de crescente fragmentação social, individualismo, relativismos de toda a ordem, frutos de uma crescente liberdade. Cada vez mais as pessoas procuram o que as tornam felizes e fazem sentir relevantes. Fazer fretes ou algo a contragosto não encaixa neste novo sistema valorativo, por vezes nem mesmo quando se é bem pago para isso. Isto leva a que as ações de voluntariado vistas como vantajosas, mais-valias, para quem as realize tendam a ser efémeras e reduzidas. O segredo para dar sustentabilidade ao voluntariado é torná-lo algo agradável e gratificante para quem o pratica, sem pressões e obrigações.

Assistimos a esse fenómeno de voluntariado nos Boardgamers de Leiria. É algo transversal que queremos incutir na associação Asteriscos e todos os seus projetos. Temos conseguido fazer várias atividades de puro voluntariado, apoio educativo e integração social com jogos de tabuleiro porque os nossos voluntários são apaixonados por esses jogos, porque gostam genuinamente deles e porque ninguém é obrigado a nada, num grupo onde reina a boa-disposição. Quando se descobre algo que conjuga uma paixão e o impacto social encontra-se a fórmula de dar mais sustentabilidade ao voluntariado e a oportunidade para desenvolver novos projetos e mais iniciativas, úteis para os voluntários e para a comunidade em geral. Se a isto juntarmos uma organização horizontal, que trabalhe de forma colaborativa, esse potencial cresce ainda mais. Só não nos podemos esquecer que este e outros voluntários nunca deverão substituir empregos e outras atividades formais.

Texto publicado no Diário de Leiria em 1 de fevereiro de 2018

UrbanWins: um passo para novas formas de participação cívica

As democracias são construções sociais politicamente utilitaristas que mudam com o tempo. A necessidade de constante reinvenção é imperativa para que não definhem. Neste momento sente-se um clima de incerteza nas democracias maduras dos países mais desenvolvidos. Há uma clara sensação de que os sistemas políticos necessitam de reformas para se adaptarem às exigências contemporâneas e futuras.

Quando se fala em democracia existe uma natural tendência para pensar de imediato no sistema político, em partidos, em câmaras municipais e assembleias. Mas a democracia é muito mais do que o sistema político representativo. Aliás, essa é apenas uma forma de democracia. Existem outras, a serem testadas em múltiplos contextos, com metodologias alternativas e direcionadas para objetivos muito específicos, que testam os limites da participação ativa dos intervenientes. A democracia e os seus princípios organizativos extravasam em muito a esfera política.

As ditas novas formas de democracia tentam colmatar os défices de formação política e participativa dos cidadãos na vida da comunidade em que vivem. A própria União Europeia tem formatado os projetos que financia para que neles se incorporem cada vez mais metodologias participativas e colaborativas. Por princípio, os planos de desenvolvimento sustentável deveriam contribuir também para melhorar o sistema de governança, que é como quem diz: os processos de decisão locais com o envolvimento dos vários stakeholders e cidadãos. Apesar do nome estranho, os stakeholders não são mais nem menos do que pessoas, instituições e organizações que defendem determinadas causas, têm conhecimento especifico numa determinada área ou representam grupos de pessoas e interesses. Exemplos são as associações de moradores, de defesa e proteção ambiental, etc.

Na prática estes processos de participação e colaboração para definição de planos e projetos de intervenção são uma raridade. Em Leiria nem a Agenda XXI local não teve continuidade, apesar do potencial cívico que tinha, partindo de uma metodologia colaborativa orientada para a melhoria do desenvolvimento sustentável. Nos raros processos em que os cidadãos são chamados a participar a tendência remete para o reforço do elitismo, por vezes pouco democrático, favorecendo quem tem mais espaço de comunicação pública, melhor oratória ou a arte de trabalhar as palavras. Também é recorrente nos processos de consulta pública, muito comuns nos instrumentos de gestão do território, tais como os Planos Diretores Municipais, Planos de Pormenor e afins, a participação resumir-se a um somatório de reclamações com base no interesse privado e particular de cada interveniente.

Felizmente há uma novidade em Leiria. Está a decorrer um novo projeto que promete ensaiar novas metodologias de participação cívica. Nos próximos textos irei falar desse projeto que tem o nome de UrbanWINS, de assuntos de índole ambiental e cultural, inspirados também nos textos do blogue “A Busca pela Sabedoria”.

Texto publicado no Diário de Leiria em 6 de dezembro de 2017.

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Subsistir os cartazes políticos por espelhos

 
 
Das trevas e da indiferença coletiva a dita classe política emerge no final do verão. Surgem como seres à parte da nossa sociedade, como se fossem uma classe social diferente. Brilha um espetáculo montado e sustentado no vazio do imediato, remendado de novidades apenas para durar o tempo de uma campanha. Curiosamente, este espetáculo político tem perdido muita da sua própria espetacularidade. Já não se invocam sonhos, só realidades mais ou menos negativas ou palavras de ordem moldáveis. Mentiras à parte, sem sonhos a noite é apenas metade da realidade, escura e tenebrosa, onde o medo persiste e na qual apenas se dorme cobardemente.

Quebrar a classe desses políticos é uma obrigação. Não por terem classe a mais, mas por princípio democrático. Em democracia nada poderia ser mais antidemocrático que reservar o exercício da política a uma pequena franja estanque da sociedade. Pode ser apenas um jogo semântico mas são os significados que nos fazem pensar e agir.

Esta é a estação das migrações dos grandes animais políticos e suas manadas de agentes modeladores da realidade. Não lhes peçamos exemplo, pelo menos não mais do que exigimos a nós mesmos. Queiramos apenas que se pautem pelos mesmos valores como pessoas comuns que são, iguais, na generalidade, a todos os outros cidadãos. Por isso acertam e erram, tal como todos nós.

Depois de obliterar os tiques de classe pensemos nos candidatos. Haverá alguns muito melhores que outros. Enquanto o sistema eleitoral não mudar teremos de votar em listas fechadas, e nelas tentar identificar os melhores dentro da normalidade cívica. Há que ir para além das fotografias e do marketing eleitoral de modo a analisar quem se candidata e os motivos pelos quais o faz. Não é difícil perceber quem tem historial de competência nas suas áreas de atividade e quem se candidata por causas coletivas. É um pequeno esforço cívico de análise.

Porventura um dia seria interessante inverter os focos e substituir os cartazes políticos por espelhos, pois o exercício da política ativa depende imensamente de quem vota. Nesses espelhos cada um poderia ver refletida a sua responsabilidade ao votar, relembrar o suposto exercício cívico realizado, depois de analisados os perfis dos candidatos e as propostas políticas que efetivamente levaram à escolha. Afinal o principal agente político em democracia é o eleitor.

 

terça-feira, 2 de outubro de 2012

A Assembleia Municipal de Leiria vai ter Newsletter

Depois de um processo mais ou menos longo, e algo trabalhoso, envolvendo associações cívicas, câmaras municipais, juntas de freguesia, debates e discussões com várias pessoas esclarecidas, ontem, em Leiria, uma ideia que propus - segundo ideia desenvolvida no seio da direcção da ADLEI - a votação foi aprovada! Assim, no dia 1 de Outubro de 2012, a Assembleia Municipal de Leiria, aprovou, apenas com 4 abstenções, instituir uma Newsletter para que os munícipes se possam inscrever e receber, na sua caixa de correio, informações acerca das datas, locais, e assuntos a tratar nas diversas assembleias municipais, com a devida ligação a documentos de consulta pública do sítio da Internet do Município  A proposta sugeria, também, que o mesmo procedimento pudesse ser adoptado pelas freguesias para as suas assembleias, com a devida consideração das limitações de cada uma delas.
O principal objectivo da proposta passa por tentar fornecer, de um modo simples e automático, informações e avisos, do tipo lembrete, para que os munícipes possam ver facilitada e incentivada a sua participação nas assembleias municipais
Agora é esperar pela implementação, e continuar a fazer esforços para que os fins possam ser atingidos, uma vez que é essencial, por todas as razões e mais algumas, fazer aumentar a participação cívica política em portugal.


domingo, 16 de setembro de 2012

15 de Setembro de 2012: A Mudança de Paradigma Político?


O dia 15 de setembro de 2012 foi marcante. Não foi a primeira vez que estive numa manifestação, e muito provavelmente não será a última. No entanto, nunca tinha participado numa assim. Foi quase surreal ver, no mesmo espaço, e movidas por sentimentos semelhantes, tantas pessoas diferentes, de estratos sociais, idades, e orientações cívicas/políticas/ideológicas. Para uma cidade pouco dada a movimentações  e manifestações sociais desta natureza, foi um momento para recordar a marcha pela Avenida Heróis de Angola!

Independentemente da contestação em causa – o reclamar pela austeridade continuada e cega que contribuirá para um decrescimento muito acentuado da qualidade de vida generalizada em Portugal - e independentemente do urgência e drama social nacional - que não é obviamente de diminuir -, dia 15 de setembro os portugueses demonstraram a si mesmos que são uma força viva, e que se conseguem mobilizar por causas abrangentes. Provavelmente, de futuro, a sociedade irá mudar no modo como encara a cidadania ativa e a política no seu sentido mais puro, como um ato colético de autogoverno social. Provavelmente este foi um reflexo evidente de que o paradigma político está a mudar, que o sistema de representação político tem de ser ajustado aos novos tempos e que os cidadãos irão querer participar mais politicamente. Eu pelo menos espero que isso seja verdade e aconteça de facto, para nosso bem (coletivo)!
Quando 10% da população sai propositadamente à rua o mínimo a que nos obrigamos é à reflexão!



segunda-feira, 2 de julho de 2012

Intervenção na Assembleia Municipal de Leiria: Sugestão para um Pack turístico/Cultural e Newsletter da AML

No passado dia 29 de Junho de 2012 decorreu mais uma Assembleia Municipal de Leiria, desta vez o espaço não foi o habitual. A sessão decorreu na Freguesia da Bajouca, isto porque comemorava 40 anos de existência.
Para divulgação, deixo aqui as plavras que me guiaram na intervenção que fiz nessa sessão. A intervenção, em jeito de resumo, foi dividida em dois temas diferentes: a sugestão para a criação de um pack/turístico que conjugasse bilhetes de entrada nos espações culturais, mapas temáticos, transportes e restauração; a sugestão para a implementação de uma Newsletter para divulgação de datas, locais e assuntos da Assembleia Municipal de Leiria.
Exemplo do "Roma Pass / Roma Map" - modelo que, com as devidas alterações de escala e interesse, poderia ser aplicado à realidade de Leiria, isto com a devida inclusão da restauração local para tornar a ideia autossustentável.
De seguida a intervenção:
São dois os assuntos que me fazem vir aqui fazer esta intervenção.
O primeiro assunto prende-se com o recente bilhete único cultural criado pelo município. Só podemos felicitar a Câmara Municipal pela ideia de, através da aquisição de um único bilhete, com um desconto considerável, permitir visitar 4 dos principais espaços culturais do concelho. Para além do desconto, cada vez mais importante e preponderante quando os tempos são de crise, esta medida parece-me acertada, pois serve em simultâneo de meio de divulgação e incentivo à visita de alguns espaços que podem ser menos conhecidos.
O princípio do bilhete único é positivo. Essa ideia pode ser um primeiro passo para algo mais à frente. Assim, pegando na ideia, e aproveitando a oportunidade, gostaria de poder sugerir ao município que continue a desenvolver e apostar neste tipo de bilhete de agregação, incluindo novos espaços e novas valências, pois os benefícios e ganhos turísticos podem ser consideráveis. Por exemplo, tornar esse bilhete num pack onde se incluísse: 1 dia de viagens no Mobilis e/ou estacionamento livre, durante um período de tempo definido, nos parques de estacionamento pagos da cidade; Um mapa com percursos de interesse na cidade, onde exista a possibilidade de inserir publicidade aos locais de restauração, que assim poderiam financiar em parte o próprio pack e incluir descontos directos sobre as refeições para os visitantes. Esta possibilidade poderia permitir criar um projecto auto-sustentável de parceiras diversas para ganhos mútuos, contribuindo para o desenvolvimento cultural e turístico do concelho. Exemplos destes são correntes e habituais noutras geografias, nacionais e no estrangeiro.
O segundo assunto prende-se com a proposta da ADLEI. No caso da Assembleia Municipal de Leiria, como tem sido das mais inovadoras, a plataforma “online” já existe e nela estão disponíveis os vários documentos com livre acesso. Ou seja, a informação existe, o que pode e deve ser melhorado são os canais de comunicação. Assim, proponho que se possa instituir a parte da proposta referente à Newsletter de divulgação e informação, permitindo que os munícipes se possam inscrever, através do portal do município, para que recebam directamente na sua caixa de correio electrónico uma comunicação automática, referindo as datas, locais e a ligação para os documentos de acesso livre já disponibilizados no portal do Município. No fundo a Newsletter, para os inscritos, funcionaria como um aviso e lembrete automático, incentivando à participação. Sugiro que se possa fazer algo semelhante também para as várias assembleias de freguesia, embora isso seja mais difícil, pois nem todas dispõem de Sitio da Internet próprio. Mas voltando à assembleia municipal; ai a medida é muito mais simples, até porque o município já tem serviços semelhantes, nomeadamente para a área cultural. O esforço seria mínimo, tendo em conta o ganho cívico que a medida poderá trazer. Estou convicto ser nosso dever tudo fazer para reduzir a distância face aos munícipes que representamos. A opção pela divulgação através da Internet da actividade política e cívica local deve ser uma das vias a seguir, ainda para mais sabendo dos hábitos de comunicação dos mais jovens, já para não falar do potencial imenso das novas tecnologias, passíveis até de mudar no futuro os paradigmas de representação política.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Consensos sem Encenações Políticas


Se “todo o mundo é um palco, e todos os Homens e Mulheres meros atores, com vários papéis ao longo da sua vida”, pelo menos atendendo às palavras de Shakespeare, existem muitos papéis sociais, em constante mutação, para todos nós ao longo da nossa vida.
Na política, porque depende do modo como comunica, recorre-se às metodologias e prescrições da expressão dramática. As técnicas dramáticas e cómicas conseguem passar todo o tipo de mensagens, incluindo as políticas. Quando se monta um bom espetáculo é possível levar o público à reflexão e à emoção. Mas será legítimo transformar a política numa atuação?
Que dizer daqueles políticos, com papéis tão diferentes e distintos ao longo da sua carreira, para quem o certo e o errado dependem do papel que encarnam no momento? A coerência nem sempre é seguida, e a ética e integridade, por vezes, vão perdendo significado nas práticas do dia-a-dia.
Quando os papéis políticos são assumidos sem coerência e sem a devida preparação, a atuação tende a ser desempenhada ao jeito das artes circenses. Essas falhas costumam ser disfarçadas com malabarismos e ilusionismo políticos, baseados na desinformação.
Por outro lado, a influência das várias culturas/ideologias políticas poderia dar a necessária base e estrutura ao exercício da política, no entanto essa é uma escolha trabalhosa, que exige estudo e saber, e de difícil exequibilidade. 
Há então que ultrapassar o “sim ou não” perentório. Urgem medidas e métodos de fomento do trabalho em equipa, criando compromissos e consensos a longo prazo. Falta-nos a estratégia de fundo que nos poderia levar a novos estágios de desenvolvimento.
Na primeira democracia – a de Atenas - encontrou-se um modo de evitar as intervenções políticas vazias e inúteis: os cidadãos/políticos que apresentassem propostas sem reunir uma percentagem mínima de apoiantes, independentemente das fações, pagavam multa!
Não precisamos de mais leis nem multas, precisamos simplesmente de mais ética e espírito cívico para optar racionalmente, sem coerção e fazendo concessões, pelo que for mais útil para o coletivo. A concordância total entre todos é uma utopia, mas a responsabilidade cívica obriga a que tentemos chegar a alguns consensos.

Texto de opinião publicado no Jornal de Leiria em 7 de Junho de 2012

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Aprender cultura política à força – A ação governativa


Há muito que as principais tendências pedagógicas desincentivam o ensino com recurso a métodos mais violentos, já para não dizer que os condenam em absoluto. A alternativa tem sido, de um modo simplista, o reforço positivo e afins. E, em muitos casos, ainda bem. Pelo menos isso poderá ser um modo de criar um novo tipo de consciência e empatia social. No entanto, tal como todas as teorias, há sempre que as possa contestar, ou então advogar que não são válidas para todas as realidades.
Em Portugal existe cada vez mais informação à disponibilidade dos cidadãos (contabilizando os Media tradicionais e agora a Internet), mas nem sempre existe a devida formação para lidar com ela. Esses défices de formação nem sempre se relacionam com formação académica. A lacuna prende-se mais com a cidadania e o próprio espirito cívico, na sua relação com os conhecimentos, mais ou menos técnicos e específicos, das várias áreas do saber de interesse comum. Somos recorrentemente alvejados por quantidades imensas de informação – agora muito especialmente por economia e gestão pública – que muitas das vezes se tornam incompreensíveis. Muitas vezes, sem nada mais que o senso comum, somos levados a compreender e ajuizar toda essa panóplia de informação pela parte, pelo aquilo que as nossas limitações nos permitem compreender no imediato. Afinal, que tipo de opinião pública estamos a criar? Opinamos bem? Se calhar não, se calhar poderíamos opinar melhor se tivéssemos a devida formação, abrangente e geral, para que pelo menos evitássemos a infecundidade de uma indignação vã. Sem a devida informação a confrontação dificilmente poderá dar lugar a uma cívica e ativa edificação.
Entre outros, o preconceito sobre questões ideológicas e tão ou mais evidente em Portugal como em qualquer parte do mundo, e relaciona-se com défices de cognitivos e de perceção. Para evitar alguns ajuizamentos usarei outros termos, por exemplo: “cultura de Esquerda” e “Cultura de Direita”, em vez da temida “Ideologia”. Pelo menos com o termo cultura ninguém se ofende e até permite que se possa aprofundar um pouco mais uma discussão política.
Apesar de recorrer a modelos pedagógicos ultrapassados, as nossas lideranças nacionais estão a contribuir ativamente para a nossa formação em cultura política, e a tornar clara a distinção entre “Culturas de Esquerda” e “Culturas de Direita”. Mesmo assim haverá sempre quem diga que não há distinção entre esquerda e direita - normalmente só alguém de Direita (mesmo que não se identifique como tal para si próprio e para os outros) afirma tal coisa. Realidade incontornável e inegável é o reforço da ação governativa segundo modelos proveniente da “Cultura de direita”, tão inegável que somos com isso confrontados na vida do dia-a-dia. Sabemos que o Estado está endividado, mas uma boa formação política, pedagógica e abrangente, deveria demonstrar-nos que existem outras alternativas, mais otimistas e humanistas, menos “pesadas”. Espero que a Direita ainda seja capaz de algum otimismo, nem que seja com outros atores, com uma abordagem mais estimulante das motivações individuais e coletivas, embora isso possa fazê-la afastar-se de algumas tendências da sua própria cultura política.

Texto publicado no Jornal de Leiria e Diário de Leiria

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Do IGNITE Portugal para o IGNITE Leiria – Uma oportunidade cívica informal

Quando soube que o evento IGNITE se fazia já por Lisboa não pude deixar de querer participar nessa oportunidade única. Mais do que simplesmente partilhar algo que me parecia ser inovador, do ponto de vista social, vi também a oportunidade de ser inspirado e alargar horizontes pelas partilhas dos demais participantes. O IGNITE era uma verdadeira oportunidade de fazer cidadania ativa, pois, ao contrário de muitas outras conferências, a informalidade do evento permitia a qualquer pessoa os seus 5 minutos de atenção, minutos esses que posteriormente passariam a estar disponíveis no Youtube, em forma de vídeo devidamente editado, para todo o mundo poder ver e conhecer. Motivado pela possibilidade da partilha, inspirado pela causa que me parecia civicamente importante, tentei esquecer medos e faltas de à-vontade em falar em público. Esses receios tinham de ser secundarizados, todas essas inseguranças eram insignificantes perante o potencial do evento.


Alguns dias depois de submeter a candidatura para um “talk” – que é como quem diz uma “intervenção” - no 10º IGNITE Portugal, evento de 2011, recebi a confirmação que tinha sido aceite. O nervosismo cresceu e a angústia com ele: a responsabilidade e exposição da situação em causa seriam grandes. Tentando não pensar muito nisso, lá fiz a minha apresentação de 20 slides para passarem automaticamente nos 5 minutos que dispunha, o tempo que todos os oradores teriam (nem mais nem menos). No dia em causa, sempre nervoso, lá fui rumo a Lisboa. No evento, a informalidade e ambiente otimista, divertido e descontraído, repleto de mentes abertas, permitiu facilmente conhecer muitas pessoas, os seus projetos e ideias. À medida que o tempo de fazer o “talk” se aproximava crescia também em mim a ansiedade. Lembro-me de, imediatamente antes de subir ao palco, as minhas mãos gelarem, que o diga a minha esposa. Apesar disso subi para as paletes, pois o palco era mesmo feito de paletes - um sinal de informalidade e irreverência. Fiz o meu ”talk”, transparecendo grande nervosismo. Lá tentei apresentar, na essência, as prerrogativas daquilo a que me propunha: a possibilidade de combater a corrupção através da consciencialização, informação, formação e educação. Com sucesso ou não, fiquei de consciência tranquila! O exercício da participação cívica, ainda que informalmente, é sempre gratificante! Todos deveriam experimentar!
Descido da palete, aliviado e de missão cumprida, senti que um IGNITE em Leiria fazia também todo o sentido. Mais pessoas por Leiria partilhavam da mesma ideia, ou ainda mais, e queriam concretizar o acender de consciências e o libertar novas ideias na cidade do Lis. Assim, duas associações que marcam a vida cívica e cultural de Leiria abraçaram e assumiram esse desafio: a Associação Fazer Avançar e a Célula & Membrana - Associação/a9)))). Então, com o primeiro IGNITE Leiria (o 23º Nacional), a realizar dia 19 de Maio de 2012 no mi|mo, haverá por Leiria, ao jeito de cada um e cada uma, a oportunidade de fazer intervenção e partilha cívica, quer seja falando de cima da palete quer em discurso direto nas conversas informais e animadas, sempre associadas a estes eventos!


sexta-feira, 23 de março de 2012

Vento vandalista numa manhã de pouco civismo

Ia eu, ainda não atrasado mas com o relógio a relembrar-me que pouco faltava para a hora de entrada, a caminho do meu veículo, quando vem uma súbita e fortíssima rajada de vento. Apertei o casaco e ignorei. Mas um grande estrondo não podia deixar de despertar a minha atenção! Os caixotes do lixo, que tinham sido esvaziados durante a noite, estavam a ser projetados pelos humores de éolo para o centro da via - da Rua da Restauração! Desgovernadamente embatem num dos muitos carros que aquela hora passavam por aquela estrada. Ficou o carro parado e os caixotes de lixo estatelados no meio da estrada. A condutora saiu somente para inspecionar se o seu veículo tinha sofrido danos. Como pareceu o efeito tinha sido menor, voltou a entrar no carro e seguiu marcha. Fiquei um tanto atónito ao olhar para a cena, especialmente quando notei que ninguém parou e tentou ajudar, ninguém tentou sequer desviar os caixotes do lixo.

Local do evento dos caixotes do lixo voadores, já ao final da tarde
Voltei para trás e, atabalhoadamente, coloquei um dos caixotes junto ao seu local de origem e arredei um outro para uma berma de modo a evitar acidentes. Assim, parti atrasado para o trabalho, pensando para comigo sobre esta nossa sociedade...

domingo, 11 de março de 2012

Tertúlia na Arquivo em Leiria com Elísio Estanque sobre livro "Classe Média: Ascensão e Declínio"

Quarta-feira dia 7 foi um dia animado, quer profissionalmente quer civicamente, mas lembro acima de tudo uma das cívicas, que foi imensamente agradável e ao mesmo tempo permitiu adquirir novos conhecimentos. Nesse dia fui incumbido de moderar a apresentação de uma recente obra publicada pela Fundação Francismo Manuel dos Santos. A obra em causa foi “Classe Média: ascensão e declínio” da autoria do sociólogo Elísio Estanque, numa iniciativa da Arquivo, ADLEI, e Jornal de Leiria que trouxe o autor à cidade de Leiria e ao espaço da livraria da parceria. Dessa apresentação participou também o antropólogo Ricardo Vieira que comentando a obra abriu caminho para a apresentação do autor.

Elísio Estanque conseguiu em cerca de uma hora tratar e aflorar, de um modo sintético, os principais conteúdos do seu livro. A obra divide-se claramente em duas partes distintas. A primeira trata da fundamentação sociológica e história daquilo que se foi considerando como a “classe média”, e das próprias teorias que a analisaram e estudaram. No fundo esse é o enquadramento que ajuda a compreender esse fenómeno social, mas que também aborda e explicava o próprio conceito de mobilidade social e grande parte das suas implicações. A Segunda parte do livro trata mais concretamente o caso português e a sua característica Classe Média, o seu nascimento, ascensão e situação atual.
Salientava algumas informações e dados avulsos que sublinhei e recordei da prévia leitura da obra e da própria sessão de apresentação do autor e suas palavras em direto:
• A classe Média é uma classe de limites indefinidos
• A definição de classe vive atualmente muito dos padrões de consumo, no entanto é muito mais que isso.
• A igualdade de oportunidades absoluta não existe em lugar algum do mundo e dificilmente existirá, pois os fatores que a influenciam são muitos, no entanto pode tentar ser alcançada.
• A classe Média tem servido como um amortecedor para os conflitos sociais provenientes das tensões e desigualdades sociais.
• A ascensão e mobilidade social viveram muito do reforço do ensino.
• A ascensão social continua a ser possível, mas provavelmente não será tão evidente como se supunha ou se esperava que fosse.
• Alguma da fragilidade da classe Média portuguesa relaciona-se, ao nível das atividades produtivas e ocupacionais, com o salto abrupto de uma sociedade maioritariamente rural para uma de Serviços, sem um passo intermédio de forte industrialização, que a ajudasse a fortalecer e suster.
• A sociedade portuguesa é caracterizada por baixos níveis de individualismo e fortes vínculos sociais que impedem a autonomia e o associativismo positivo.
Como moderador não podia deixar passar a oportunidade de colocar algumas questões ao autor, entre elas:
• Qual a necessidade de nestes tempos de crise, que vão muito mais para além da crise economia, haver ou termos todos mais “lições de sociologia”.
• Se o acesso à educação, especialmente à superior, se esgotou como modo de ascensão social.
A resposta de Elísio Estanque foi muito mais rica e interessante do que me é possível aqui transcrever por palavras próprias, mas arrisco-me a resumi-la nas seguintes palavras :
• Sem dúvida que precisamos de “utilizar” mais dos conhecimentos da sociologia na construção social contemporânea;
• A ascensão social contemporânea via ensino está longe de ser um dado adquirido, no entanto os indivíduos mais bem formados terão sempre maiores probabilidades de ascender socialmente.

Depois foi a vez do público poder entrar em ação com intervenções e questões. Acabou por se falar da situação social e económica atual, dos responsáveis políticos, dos partidos e muito sobre educação como estratégia de desenvolvimento para o país.
Lembro-me das palavras de Elísio Estanque que referiu: ter havido descoordenação nas estratégias de ensino nacionais e que o atual sistema partidário precisa urgentemente de reformas, de que os jovens procuram cada vez mais intervir fora dos partidos - quer por desconhecimento quer por os considerarem incapazes de responder aos seus problemas e anseios.
A conversa fluiu durante quase 2 horas num agradável prazer de partilha e aquisição de saberes e opiniões em grupo, com um alguém de vulto e saber incontestável a guiar o processo. Falo é claro do professor Elísio Estanque.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Da Assembleia Municipal numa sexta à defesa do ensino para a cidadania numa Sábado pela COES

Ontem ocorreu mais uma sessão da Assembleia Municipal de Leiria onde tive oportunidade de participar como deputado. Desta vez não fui em substituição, fui mesmo como membro efectivo. Poderia afirmar que seria com grande orgulho e satisfação que assumo esse papel, mas, apesar de ser um dever e cargo que me realiza civicamente por o tentar desempenhar como acção cívica, acabo por ficar triste. Fico com pesar por o cargo me ter chegado pelo abdicar de uma amiga, ainda por cima alguém que a meu ver tem dado e ainda teria por dar um grande contributo cívico e político aquele órgão do poder local. O melhor que posso fazer agora é tentar desempenhar esse novo papel, ainda que já o tenha assumido várias fezes como substituto, do modo mais positivo, activo e contributivo, defendendo o que verdadeiramente está em causa: o interesse público como acto de cidadania!
http://balooscartoonblog.blogspot.com/
O dia de ontem acabou tarde. Apesar de ter tentado defender aquilo que me parecia o interesse colectivo, através de sugestões e propostas sobre dois temas distintos, fica-me sempre a sensação, independentemente da sessão e maior envolvimento pessoal, que eu próprio muito mais poderia ter feito e contribuído. No fundo, até penso ser bom não ficar demasiado conformado e tentar exigir sempre mais, caso contrário arrisca-se o marasmo e perder de vista o ambicionado desenvolvimento - que neste caso é local.
Hoje, sábado, o dia começou bem cedo, pois, por volta das 10h00, queira estar em Lisboa para uma iniciativa da da Corrente de Opinião Esquerda Socialista (COES) dedicada à reflexão e debate em torno do passado e futuro do socialismo, tal como do próprio funcionamento e organização do PS enquanto partido político. De início não tinha pensado nem preparado nada para intervir, até porque nas iniciativas da COES pouco tenho a ensinar ou partilhar, tenho sim muito a aprender com os/as camaradas que participam habitualmente nessas iniciativas! Mas, com o desenrolar das intervenções e temas, acabei por decidir intervir. Fiz uma pequena intervenção, como é meu hábito - o mais concisa possível - sobre a necessidade do "educar para a cidadania" ser imperativo no nosso país, pois são imensos os nossos défices cívicos. Referi mesmo que isso poderia ser um das propostas estratégicas de fundo do socialismo: formar e educar cidadãos completos (informados e com capacidade activa) para mais igualdade de oportunidades e coesão social. Falei também da necessidade de reforçar a Democracia, aproveitando as novas tecnologias para uma tendência para ser cada vez mais directa e informada.
Nesse debate da COES, foram muitos os intervenientes - como é hábito - que trataram muitos  e variados assuntos: falou-se muito de ética como valor transversal ao partido e à sociedade; da necessidade de criar modelos económicos do socialismo democrático alternativos ao neoliberalismo capitalista; de abrir o partido aos cidadãos, de reformar e revitalizar a democracia com outros modos mais directos; de novos modelos produtivos; de igualdade de género; e muitos mais.
Foram dois dias cansativos, com horas de trabalho misturadas com participação cívica/política, centenas de quilómetros e um debate de fundo e ideológico. Foram dois dias enriquecedores politicamente, tanto nas questões mais práticas e do dia-a-dia como daquelas mais relacionadas com a ideologia "pura e dura".

sábado, 31 de dezembro de 2011

Vai uma prendinha de cidadania para garantir a providência?

A austeridade está ai, mas para o ano será ainda maior. Como responder a isso, especialmente quando o Estado, por via do Governo, deixar de garantir algumas funções que poderiam amenizar ou suavizar esse choque? O atual Governo, devido à crise e pela ideologia em que assentam as suas políticas, tenderá a acabar com a construção de um Estado Providência. 

Como nestas épocas de instabilidade a providência será cada vez mais necessária, provavelmente terá de ser a própria sociedade a encontrar as soluções para as atuais e novas privações. Com a redução do papel de intervenção e garante do bem-estar às populações por parte dos Estados, para garantirmos alguma providência teremos, especialmente em Portugal, de reinventar a Sociedade Providência. Deveremos então voltar ao passado e trabalhar em comunidade, para a comunidade, de modo a garantir um certo nível de providência? No passado isso era possível, por exemplo na construção de habitações, onde toda a comunidade ajudava na construção das casas dos vizinhos. Hoje, regulamentos e leis, que fazem todo o sentido em nome da segurança, qualidade e da redução dos impactes ambientais, patrimoniais e afins, dificultam muita da ajuda do coletivo. Hoje será praticamente impossível fazer uma habitação sem recurso a crédito, pois os prazos de obra não permitem “ir construindo”. Mas, mesmo assim, ainda muito se pode contribuir para uma dita Sociedade Providência, existem muitas maneiras de garantir a imperativa providência e compensar a não resposta Estatal. Não defendo que o Estado e a Administração Local Autárquica devam ser diminuídos nas suas responsabilidades, mas como os financiamentos, por todas as razões e mais algumas, tenderão a ser reduzidos, temos de encontrar alternativas para responder as dificuldades que vão passar muitos portugueses.
Para falar de cidadania, e de a relacionar com a Sociedade Providência, nada como alguns casos práticos para a exemplificar. Um exemplo simples e tangível pode ser: se tivermos um “buraco” na nossa rua, se formos reclamar a quem de direito e não houver dinheiro para reparar, uma solução será, com autorização das entidades responsáveis, fazer uma intervenção em jeito de trabalho voluntário e coletivo entre todos os moradores. Com esta opção dá-se uma lição de cidadania e um exemplo que poderá aproximar os cidadãos dos problemas da gestão pública e contribuir para um maior envolvimento na própria comunidade; dá-se um exemplo de “ir para além das obrigações” em prol de todos. Lembro outro caso recente de demonstração cívica na causa ambiental que poupou fundos públicos e foi para além das obrigações cívicas dos envolvidos: a iniciativa limpar Portugal. Muitos mais exemplos existem, tais como as recolhas de alimentos e outros bens para posterior distribuição. Assim, se seguirmos estes e outros exemplos, quando as coisas melhorarem – temos de esperar e fazer para que melhorem pois insustentável é viver sem esperança – os cidadãos poderão contribuir ainda mais e melhor para uma sociedade mais responsável - esperando que o Estado o seja também -, com mais empatia e capacidade de entreajuda. Nada como fazer para depois poder exigir!
Em jeito de conclusão e alusão à quadra festiva que vivemos: darmos uns aos outros outra atitude cívica e uma cidadania mais ativa será a melhor prenda para este Natal e para um ano novo que se avizinha difícil!

Texto publicado no Diário de Leiria em 22 de Dezembro de 2011

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Voluntariados e entorses nas pré-festividades de 2011

A época que antecedeu o Natal de 2011 aqui por Leiria merece um registo aqui nas "Redundâncias", por muitas e variadas razões redundantes, mesmo que alguns dos casos até sejam de grande importância e marcos a recordar.
Primeiro, os cortes orçamentais a que o Natal de Leiria esteve sujeito, sem grandes investimentos públicos, devido à difícil situação financeira do Município, levaram a que a cor do nosso Natal local vivesse muito do voluntariado e uma atitude cívica de salutar e elogiar - o que até foi positivo! Este ano não houve a habitual "Aldeia do Pai Natal" no nosso Rossio à beira Lis. Mas em contrapartida criou-se uma "Oficina" - do mesmo proprieário fictício, o Pai Natal - no conhecido edifício do Banco de Portugal. Nesse local de nome ficcional, mas bem real, construiu-se e produziu-se uma exposição alusiva ao Natal e dedicada as mais novos. "Fábrica" construida à custa dos meios internos da Câmara Municipal e de vários voluntários que expuseram alguns bens e objetos de brincadeiras, que são verdadeiras coleções de afetos e afetividades. Tive a possibilidade em ajudar a que nessa fábrica houvesse uma "Linha de Montagem" de Lego, de contribuir para que alguns dos melhores construtores/colecionadores de Lego de Leiria pudessem expor as suas coleções e criações para delícia de visitantes de todas as idades. Obviamente não podia deixar de colocar lá umas quantas criações também, mas a falta de tempo crónica, por excesso de vontades de fazer e criar, têm-me desviado de novas construções. Ficou lá um barco e uma torre medieval inteiramente fruto da minha imaginação. Espero que de futuro se possam organizar mais exposições e alargar a quantidade e qualidade das criações Lego para mostra, este foi sem dúvida um bom princípio. Mas mesmo com pouco tempo, foi a perseverança do Alex e do António, e apoio da Orlanda, que permitiu que tudo se tivesse montado e  que o resultado final fosse bem simpático. Aliás, o resultado só pode ter sido bom, pois até foi dado bastante destaque ao evento, até pelo próprio semanário Região de Leiria que fez uma excelente reportagem acompanhada de vídeo e entrevista ao Alex - o principal autor da exposição Lego. Ficou o exemplo de cidadania e voluntariado destes construtores Lego de Leiria, o primeiro que queria dar e referir neste texto.
Vista panorâmica do tema cidade na exposição 2011 do Banco de Portugal
Outro caso é o o "Leiria Iluminada", como de uma necessidade se fará e concretizará uma ato de voluntariado que seguramente fará história na cidade e no seu centro histórico. Como não haviam verbas para grandes iluminações para o Natal de 2011, devido novamente à dificuldade financeira que passa a CML, alguns cidadão e utentes do centro histórico de Leiria tiverem a excelente ideia de eles próprios, recorrendo a copos e velas, iluminar a noite de 23 de Dezembro. O resultado só poderá ser bom! Seguramente que o efeito visual será muito particular, mas mais importante será a união  e mobilização dos leirienses - num ato de pura cidadania ativa -por uma causa e objetivo coletivo da sua própria cidade. Imagine-se o que mais poderá ser conseguido de futuro com o aproveitar destas sinergias!
Para mal dos meus pecados - que devem ser muitos, pois enquanto ateu devo até ser culpado dos mais simples - tive uma grande entrose ontem... Hoje estou de muletas e com o pé ao alto, inchado com quase o dobro do volume que normalmente tem. Ontem, no meu habitual dia a que me dedico à prática do mau futebol - aquele que sou capaz de praticar - fiz a proeza de marcar um golo de belo efeito - mesmo ao canto depois de uma finta - enquanto torcia o pé direito sobre o meu próprio peso. Por isso, essa mini fatalidade, não poderei sair nesta noite em que Leiria se ilumina especialmente. Só me resta imaginar como será e esperar por ver as fotografias!
Copos e velas depositados nos pontos de recolha para o "Ilumina Leiria"
Acho que vou recordar este pré-Natal de 2011. Só espero que as luzes desta nova Leiria não brilhem só hoje. De futuro gostaria de poder contemplar a sua cívica luz,  o seu exemplo de claridade a seguir!
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Redundâncias da Actualidade - criado em Novembro de 2009 por Micael Sousa





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