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terça-feira, 26 de março de 2013

Necessidade de Energias Sustentáveis

As Energias Renováveis têm de ser parte incontornável do futuro! Sem dúvida que interessa ter fontes inesgotáveis de energia, mas o facto de serem renováveis não resolve, por si só, o nosso problema energético e os impactes ambientais associados.
Mais que “Energias Renováveis”, de um modo pragmático, precisamos de “Energias Sustentáveis”! Nem sempre “renovável” é sinónimo de “sustentável”, e por vezes as não renováveis, a curto prazo, até podem ser as mais racionalmente sustentáveis. Polémicas à parte, o problema energético exige análise cuidada, e no caso português mais ainda, pois a nossa dependência energética externa condiciona o nosso desenvolvimento. Importa fazer balanços dos gastos e ganhos, comparando energias despendidas e produzidas. Pode bem acontecer gastar-se mais energia não renovável nos processos de implementação e utilização (produção, logística, construção, transporte, armazenamento, etc.) das energias renováveis do que a quantidade de energia limpa por elas produzida. Assim, em certos casos, o saldo pode ser negativo, a todos os níveis. Mas essas limitações devem ser analisadas com muita cautela, pois as energias não renováveis, como todos sabem, podem causar, para além dos impactes ambientais decorrentes da sua normal obtenção, verdadeiras calamidades!


Por vezes, para que possamos usar, no dia-a-dia, energia dita limpa, proveniente das renováveis, muitos foram já os custos energéticos provenientes de outras fontes altamente lesivas para a garantia da sustentabilidade económica e ambiental. Daí ser imperativo analisar cada caso e fazer o devido cálculo energético.
Pelos menores impactes ambientais, e por ainda estarem em fase inicial de desenvolvimento e implementação, as energias renováveis tendem a ser subsidiadas pelos Estados. Isso pode ser mais um problema, pois os fundos públicos são cada vez mais exíguos, sem fundos para que se financie algumas potenciais insustentabilidades.
Assim, de futuro, precisamos de energias verdadeiramente sustentáveis, renováveis ou não. Precisamos de garantir as nossas necessidades energéticas através das tecnologias de menores custos (implementação, produção, manutenção, ambientais e outros). Até lá teremos de continuar a investigar para tentar atingir esse objetivo, mas enquanto a utopia não se concretiza, cada um de nós vai querer continuar a ligar o interruptor e a pagar o mínimo possível por isso.

Texto publicado no Diário de Leiria, Jornal de Leiria e Diário as Beiras

terça-feira, 18 de outubro de 2011

O Governo e as suas lições de ideologia política

Com o título que escolhi para estas minhas palavras opinativas provavelmente não despertei grande interesse em potenciais leitores. Afinal, com tantos casos sórdidos de políticos e suas políticas, quem afinal, para além dos académicos e próprios políticos, quer saber de ideologia política?
Provavelmente, preocupado com isso, o actual Governo parece querer dar verdadeiras lições de ideologia governativa aos portugueses. Se isso fosse um exercício pedagógico, capaz de reforçar a participação cívica, a tarefa seria louvável, pois não se pode ser um cidadão civicamente completo e activo sem estar atento e participar politicamente na sua sociedade. No entanto, os propósitos do Governo parecem ser outros, e o método pedagógico assente na política dos cifrões
Este Governo tem vindo lentamente a demonstrar as suas fortes convicções liberais de direita: do peso mínimo do Estado; da desvalorização do serviço público; da redução dos salários como desculpa para a necessária maior produtividade; da precariedade e falta de direitos no emprego; da economia liberalizada sem rédeas; das privatizações sem regra; etc. As preocupações sociais assumidas durante a campanha eleitoral cedo se esqueceram, e foi conseguido o prodígio nefasto de agravar ainda mais o programa da troika. É obra, má obra!
Agora alguns governantes, qual país “terceiro-mundista”, assumem que o valor pago pela mão-de-obra deve ser reduzido! Ir por essa via ainda nos afastará mais da Europa e do nível de vida e desenvolvimento que procuramos! Porque não inovar de facto e proporcionar aos trabalhadores e empresas as condições para produzirem mais? Como esperam estimular e incentivar a produção assim? Isto é de tal maneira incompreensível que até os defensores das ideologias económicas mais liberais consideram que “ganhar mais” contribui para maior motivação laboral e logo mais produtividade. Por cá, a demanda da eficiência tem passado sempre por cortar onde é mais fácil: nos salários. A opção mais difícil, e trabalhosa, de alterar os modelos de gestão, organização e produção parece ser sempre descurada. Olhando lá para fora, falta-nos a organização, a responsabilidade e a motivação. Capacidade de trabalho é coisa que demonstramos ter enquanto povo, vejam-se os casos dos emigrantes portugueses no estrangeiro. Este exemplo é constantemente utilizado mas parece que nunca é verdadeiramente entendido… para nosso mal…
Assim, de um modo indirecto, o Governo, pelas suas políticas erradas – na minha opinião – tem tido um papel positivo: ensinar como as políticas e ideologias da direita neoliberal (ou ultra-liberal) prejudicam quem vive do seu trabalho, especialmente aqueles que vivem do trabalho assalariado – no fundo quase todos nós.

(texto publicado no Jornal de Leiria em 13 de Outubro de 2011 e no Diário de Leiria em 17 de Outubro de 2011)
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