domingo, 24 de abril de 2011

Os independentes e as suas independências

Será o tendencial culto do individualismo, nesta nossa sociedade contemporânea, a razão para a qual hoje a independência chega a ser um valor em si mesma e justificação para algumas existências políticas, razão até para se ser eleito para um qualquer cargo político? Ou será mera coincidência?
Mudar de opinião é normal, especialmente se isso resultar do acumular de experiências ou outros conhecimentos novos. Só os “burros” é que não mudam quando se comprova que estão errados. Até porque em democracia dificilmente podemos aceitar outra postura.
 Agora, que dizer de quem se assume como arauto da independência, como paladino imaculado anti-partidário e depois segue pelas piores práticas que há não muito tempo criticou? Abalará isto o ideal popularista da independência política? A independência só por si de nada vale, ou não pudesse isso significar a incapacidade de assumir publicamente posições e matrizes de valores. Se essas orientações não são evidentes nem assumidas o que norteia os comportamentos e atitudes? Qual a salvaguarda de que a predisposição política não passa apenas pela ânsia de cargos ou poder, independentemente dos modos e meios como isso se consegue? Não podemos ser independentes do interesse comum!
Os movimentos de cidadãos independentes vão gozando de uma certa áurea mística, mas os seus aspectos negativos começam a transparecer e os mitos a ruir. Essas manifestações políticas, que se dizem muitas delas sem qualquer vínculo ideológico, têm um defeito considerável: a incapacidade de comprometimento. Neles não há compromissos para com valores ou ideários base, não transparece para quem vota mais que a força efémera das caras. Nesses movimentos, saindo as lideranças nada fica, ou então fica o descrédito e a frustração de quem apoio e votou e depois fica sem caras, sem respostas, sem estrutura, sem valores, sem nada. Por outro lado, nos partidos políticos, saindo as lideranças do momento, ficam sempre: o partido e a sua história - para dela se tirarem lições e ilações; e principalmente os valores ideológicos - que podem sempre ser recuperados e reabilitados.
De futuro, espero que vá caindo o mito de que a independência é a principal qualidade para se ser político em Portugal, pelo menos este tipo de independência, aquela que serve somente para concretizar fins pessoais. Mas não existirão vários níveis de se ser independente?

Na minha opinião, a nossa política nacional precisa muito de pessoas independentes, mas dentro dos partidos políticos! O país precisa de militantes independentes a pressões e a lobbys, independentes de se envolverem em esquemas de corrupção. A nação precisa de independentes do que é mau e, na mesma medida, dependentes do que é bom - integridade e transparência. Precisamos de pessoas capazes de assumir uma bandeira que não seja apenas a da sua própria cara!

Texto publicado no Diário de Leiria em 15 de Abril de 2011

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