sexta-feira, 22 de julho de 2011

Lixo - coscuvilhices sobres dívidas estatais

Parecesse que afinal, pelo menos para algumas instituições americanas, a nossa dívida estatal é "Lixo". Por terras do Tio Sam - familiar que pouco ou nada simpático tem sido para os europeus, especialmente quando são os seus dólares que estão em causa - existem várias Agências de Notação que fazem ratings, e com isso classificam, segundo os seus humores, a capacidade que os Estados têm de pagar as suas dívidas. Para além de inconstantes de humores - que traduzindo permite fazer uma evidente relação -, as ditas agências ao mudarem muito rapidamente de opinião, ainda o fazem "metendo-se na vida" dos Estados sem se preocuparem com a veracidade das informações e sem assumirem qualquer responsabilidade pelo que vão dizendo e partilhando. Isso por cá, pelo menos nos meios mais populares, chama-se de coscuvilhice ou maledicência, mas os economistas lá sabem. Para além de altamente temperamentais, não serão essas Agências também distraídas? Ninguém pode dizer que o actual Governo queira evitar o modelo ultra-liberal de redução do tamanho e papel do Estado - tão querido do modelo económico que fez prosperar as próprias Agências de Rating e que elas próprias prescrevem para uma sã economia -, mesmo que isso signifique reduzir o Estado Social e aumentar as desigualdades sociais. As tais Agências de Rating só podem andar distraídas, tal como aconteceu quando deram excelentes avaliações a Islândia pouco tempo antes desse país ficar na bancarrota. Afinal tudo parece continuar na mesma, apesar das mudanças políticas, piorando: continuam a aumentar os juros da dívida e a austeridade; as avaliações de rating a irem por ai a baixo com a economia real do país. Afinal parece que o problema não era do anterior Governo.
Mas e se tudo isto for uma grande peça de humor, ao estilo anglo-saxónico, uma encenação de humor negro carregado de sarcasmo e ironia, chegando mesmo ao "nonsense"? Nós, latinos, por regra, salvo algumas excepções, não apreciamos este tipo de humor, nem de facto andamos para grandes humores. Quando dizem que a nossa dívida é "lixo" não estarão a querer dizer que, tal como toda a boa "sucata", a dívida até tem valor? Suposições rebuscadas à parte, penso que se pensarmos assim, se optarmos pelo optimismo, nada perdemos, muito pelo contrário. Por acaso, ou talvez não - pois a aposta ambiental tem sido séria e abraçada pelos vários governos que passaram -, Portugal sabe lidar com os seus lixos, sabe trata-los, valoriza-los e acondiciona-los. O Lixo em vez de problema tem sido cada vez mais uma oportunidade.
Provavelmente - sendo benevolente para com as Agências de Rating, até porque já chega de  dizer que todos nos querem tramar e que a culpa, coitada, se com alguém de nós portugueses casa logo de seguida a deixamos divorciada - está na hora de aproveitar o lixo e encaminhar os desperdícios para uma valorização que valha a pena e sirva o bem comum. Podemos começar pelo aspecto psicológico colectivo e reciclar o desespero por optimismo! Se não formos optimistas seguramente que mais ninguém o será por nós!

(Texto publicado no Diário de Leiria em 13 de Julho de 2011 e no Jornal de Leiria em 14 de Julho de 2011)

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