segunda-feira, 14 de abril de 2014

Livros de bolso em Paris

Volto de novo a falar de Paris, cidade que, quanto mais conheço, mais inesgotável me parece ser nas suas várias vertentes. Desta vez falo, indirectamente, do metro, também ele imenso e composto de estações surpreendentes. Mas não é obviamente a dimensão e a própria estrutura e funcionamento do metro que pretendo identificar como algo que se pudesse aplicar à nossa terra. O que me parece relevante a aprender com o modo como os parisienses usam o seu metro passa pela gestão pessoal dos “tempos mortos”.
É muito comum, quando viajamos nas composições ou enquanto esperamos pelo comboio, assistirmos ao sacar de livros de bolso por parte dos passageiros. Parece que a grande maioria das pessoas leva, num dos seus bolsos, um livro, independentemente do crescente uso dos smartphones, com acesso contínuo à internet e quem sabe a e-books.
Tentei perceber então porque era tão comum aquele fenómeno. Curiosamente até parecem ser mais os leitores de livros que de jornais. Curioso, especialmente porque se compra e lê um jornal com mais leveza e facilidade – no bom sentido dos termos, é claro. Já um livro exige, no mínimo, uma pequena vontade planeada de iniciar e continuar uma determinada leitura.
Então descobri que existem praticamente versões de todos os livros em formato bolso, e a preços muito interessantes - cerca de metade ou menos do valor do livro em formato padrão. Assim, não é só a vontade natural e o gosto de querer ler dos parisienses, mas também a própria indústria editorial e cultural que está preparada e direccionada para oferecer livros aos consumidores, que lhes permite aproveitar os “momentos mortos”, lendo em qualquer local.
Por cá, sempre que estivéssemos numa sala de espera ou num transporte público, se tivéssemos os mesmos hábitos e opções, talvez fosse mais fácil suportar os tempos de espera, aproveitando para nos enriquecermos com o que é mais valioso – a cultura.
 
Nota: Texto criado para a rúbrica "Viagens (fora) da minha terra", do Jornal de Leiria

sexta-feira, 28 de março de 2014

Portugal - um país de pobres

Soubemos recentemente que 1 em cada 4 portugueses é pobre, e ainda por cima o limite para se ser considerado pobre passa por viver com um valor mensal abaixo dos 409€. Imagine-se então se fosse, por exemplo, um valor 50% acima disso, uns 600€ para concretizar. Parece-me a mim que a vida não seria fácil também para essas pessoas com esse tipo de rendimento, e se calhar seriam a maioria da população. Portugal é cada vez mais um país de pobres. É um facto.


Link para o vídeo
 

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

O Corvo que virou um conto em formato PLIP

Tendo eu um conto infantil em rascunho sobre um "corvo" diferente, acabou por fazer todo o sentido criar uma versão desse conto para fazer parte d´ "O Projeto de Leitura Inclusiva Partilhada (PLIP)".
Então, depois das devidas adaptações, pois parecia-me fazer todo o sentido que o conto se passasse em Leiria, lá fomos adaptando a formatos alternativos. Uma grande equipa, de voluntários, fez nascer "O Corvo Laranja" em multiformato, acessível a um público verdadeiramente vasto.
Assim, deixo o link do projeto abaixo para que o possam conhecer melhor, sendo que todos podem descarregar os conteúdos, e os agradecimentos a esta vasta equipa que tornou esta ideia numa realidade. Que venham mais PLIPs.
Aceder ao "O Corvo Laranja" aqui.
 

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Ó Ronaldo, ajuda-nos a fazer um museu para os Mirós...

No país sem ministro da cultura vale tudo culturalmente. Esperaríamos que, mesmo não sendo ministro, existisse um secretário para defender a cultura e património de Portugal, independentemente de ser recente ao não. Um homem (ou mulher) da cultura tem, supostamente, visão do potencial que a cultura tem como motor de desenvolvimento. Seria suposto ter ainda mais visão por ser o único membro do governo a quem se permite usar óculos arrojados, daqueles especialmente calibrados para a visão cultural e envergados só por verdadeiros intelectuais – não resisti à brincadeira. Então aqueles “óculos” não deveriam ajudar o senhor secretário a ver todo o potencial gerador de riqueza e dinheiro através da cultura? Será que nunca informou o primeiro-ministro disso? Bem, se calhar fez, mas, como o seu chefe se alistou numa cruzada radical com a demanda de reduzir toda a intervenção do Estado – mesmo a positiva -, somente o sector privado pode gerar dinheiro com a cultura e seu património. Falo em gerar dinheiro porque se falasse em gerar impacto social e cultural positivos, e na importância disso, dificilmente compreenderiam. Será então um problema de comunicação, mas de quem é a culpa desta incompreensão mútua?
Não havendo quem nos salve, só nos resta uma medida extrema. Penso que se justifica chamar às suas responsabilidades, em defesa do interesse nacional, alguém especialista em museus e que por acaso agora é comendador! Pois é Ronaldo, está na hora de fazeres mais um serviço ao teu país. Não podemos recorrer a mais ninguém. Agora como comendador, convence lá o nosso primeiro-ministro que abrir um museu é boa ideia, que até pode dar dinheiro e, de certeza, potenciar indirectamente o turismo e toda a economia a ele ligada. Tu, mais que ninguém, sabes o que fazer para um museu ter sucesso. Imagine-se aquilo que conseguias fazer com uns “Mirós” para expor? Seria de certeza o mais visitado do mundo!
Como patriota que és não nos deixarás na mão! Aproveito também para te retribuir antecipadamente a gentileza, avisando-te do risco que corre o fruto dos teus pés – esse tesouro natural em carne viva. Nunca te lembres de doar as tuas botas de ouro ao Estado português porque, qualquer dia, vem por ai um governo neoliberal capaz de as vender, em vez de as expor e potenciar o turismo de desporto. Sabemos bem que isto de fazer dinheiro com aquilo que é nosso, multiplicando-o, é coisa para os outros. O mais certo seria venderem-te os trofeus e o mundo passar a confundir-te com o Ronaldo brasileiro, tal é o nosso jeito nacional de desperdiçarmos os nossos valores.
Resta-nos recorrer aos ídolos dos nossos tempos, pois naqueles que habitam no panteão governativo da nação a fé está por um fio.

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Então não é que o meu livro "Contemporaneidades" já se vendeu numa livraria!

Quando deixei alguns exemplares do meu livro "Contemporaneidades - Poesia e Pintura de Micael Sousa" admito que pensei que nunca mais ter notícias deles. Então esta semana fui surpreendido. Os exemplares que deixei na livraria "Letras e Livros" em Leiria foram vendidos! Tive até de ir deixar lá mais.
Fotografia por: Liliana Gonçalves
Como autor amador que nunca tinha vendido livros a desconhecidos numa livraria este acontecimento importante apenas para mim deixa-me a fantasiar e especular. O que levará alguém a comprar um livro de um autor praticamente desconhecido e que faz o seu primeiro livros? Os livros de poesia amadora vendem? Será que ter ilustrações ajudou? Caso o livro seja mesmo lido, o que sentimentos e reações terá em quem leu? Seria alguém que me conhecia e comprou apenas por simpatia e curiosidade?
Porvavelmente nunca saberei a resposta a estas questões. E acabo este pensamento redundante com outra questão: será que queria mesmo saber as respostas às anteriores questões, pois não será muito mais interessante ficar nesta ignorância especulativa?

 

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Torre Sineira de Leiria e cena de "O Crime do Padre Amaro" em Lego


Esta ao mais uma exposição de Natal em Peças de Lego, uma parceira da Câmara Municipal de Leiria e do grupo de voluntários da Comunidade 0937. Desta vez participei com uma construção original especial. Recriei um espaço bem conhecido da nossa cidade, a Torre Sineira, mesmo ao lado da antiga porta do sol das muralhas exteriores do castelo de Leiria. Nesse espaço, que continua a existir, lembrei-me de colocar uma figura em Lego do Eça de Queirós a espreitar entre a muralha, imaginando uma das cenas do seu romance  O Crime do Padre Amaro.

"Num muro invadido por vegetação aproveita-se o escritor do miradouro para imaginar as suas histórias. Ali ao lado da torre sineira, aquela que se afastou da Sé Catedral que repousa lá mais a baixo, Eça de Queirós liberta um sorriso malandro quando ouve o sino a badalar. Ali seria o espaço perfeito para acontecer um dos seus romances mais polémicos, com um fim trágico. Ali, na Leiria velha, haveria um Padre que se iria escapar subindo o morro do castelo com a sua amante Amélia. O seu nome era Amaro."

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Hoje até os Mortos foram Roubados

Dia 1 de Novembro de 2013 foi um dia de assalto sem precedentes. Assaltaram-se vivos e mortos, em todas as gerações – dos vivos é claro.


Hoje, por decisão do Governo, deixou de haver feriado, morrendo com isso uma longa tradição de origens ainda mais antigas que o cristianismo, ou seja, mais de 2000 anos. Impediu-se o continuar de uma tradição que vinha já de tempos celtas e sobreviveu adaptada durante toda a era cristã até aos dias. Impediu-se que as crianças por Portugal continuassem a tradição de irem, de porta em porta, “pedir bolinho”. E, talvez mais grave que tudo o resto, impediu-se que os vivos visitassem, por todo o país, neste dia dedicado aos mortos, os familiares e amigos desaparecidos.

Não é fácil conseguir um roubo de tão grande impacto, especialmente quando até os mortos são roubados.

Algumas curiosidades sobre este feriado no blogue A Busca pela Sabedoria:

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Começa a época das descolagens políticas

O Verão parece estar a atingir o pico máximo de calor. Portugal está em brasa! Neste momento, apesar das temperaturas elevadíssimas que se fazem sentir, os principais fogos e calamidades parecem estar a acontecer no seio do próprio Governo. As indefinições e instabilidades causadas pelos próprios que se dizem defensores do rigor e seriedade deixam os portugueses em estado de descrédito e choque. Os maus exemplos políticos vindos da elite governativa transformam o exercício do poder e da política em atos de chacota pública, desencadeadores de convulsões revoltosas e ódios, tão funestos para a imprescindível coesão e empatia social que precisamos alcançar para descolar desta crise das crises.
A convulsão nacional vem no momento em que as pré-campanhas autárquicas arrancam. Será coincidência? É difícil de perceber o que é estratégia e o que é simplesmente falhanço e incompetência. De qualquer dos modos, a ação do atual Governo tem contribuído para minar a já pouca confiança dos portugueses no exercício da política. Poderá ser mero acaso, mas isso não minora os impactos para as eleições autárquicas de 29 de Setembro, ao fazer aumentar uma já clara aversão dos portugueses para com a política formal.
Novamente, por acaso ou não – qual acaso dos acasos –, os partidos a nível local, especialmente aqueles que apresentam candidatos militantes nos partidos que os apoiam, parecem fugir dos próprios logótipos e cores tradicionais. As mensagens tendem também a ser esvaziadas de qualquer ideologia que poderia ajudar à decisão política. Isso acentua-se mais no caso do PSD e CDS-PP, mesmo em municípios onde isso antigamente seria um ponto forte.
O que não é acaso é a tentativa de descolar das responsabilidades do Governo, com o próprio Primeiro-Ministro a tentar descolar das suas próprias responsabilidades pela vinda da Troika, quando ainda era líder de oposição e fez chumbar o PEC4. Na campanha pelas freguesias a tentativa segue pelo mesmo rumo, evitando ou culpando outros pela atabalhoada reforma da administração local que só serviu para extinguir freguesias sem qualquer ganho justificável. 
No tempo que ai vem, com o calor a apertar, a tendência será para forçar o descolar das responsabilidades dos próprios e das suas famílias políticas, tentando colar remendos e mensagens à pressa para evitar as catástrofes eleitorais de alguns.

Texto publicado no Diário de Leiria e Jornal de Leiria

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Escrever um livro, ter um filho e plantar uma floresta!

Quando disseram que nos deveríamos sentir realizados quando "plantássemos uma árvore, escrito um livro e tido um filho" deve ter havido engano de proporção. Escrever um livro, dependendo do tipo de escrito, pode ser muito trabalhoso, mas comparar o plantar de uma árvore à dimensão de trazer ao mundo um filho é absurdo. Acho que nem o plantar e tratar de uma floresta inteira seria comparável. Acho que temos de reformular a expressão! :)




domingo, 6 de outubro de 2013

O meu livro à venda numa montra de livraria

Confesso que nunca esperei ser autor de um livro, e ainda menos que estivesse na montra de uma livraria, ainda por cima uma, que na minha opinião, é das melhores em Leiria. Quando passo pela dita livraria - Letras & Livros -, que fica muito perto dos meus percursos pedestres diários, o sentimento é de estranheza quando olho para aquele pequeno livro negro - CONTEMPORANEIDADES - Poesia e Pintura de Micael Sousa - ali exposto. É um pedaço de mim que está ali exposto! O mesmo é dizer que não me considero digno de tal honra, mas que quero fazer por a merecer, ensaiando mais trabalho e tentando melhorar - até por que há mesmo muito a melhorar.

Como isto é uma verdadeira redundância, com importância apenas para mim, não podia deixar de registar aqui este momento de vida - sem esperar que este registo tenha muitos leitores, obviamente.


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Redundâncias da Actualidade - criado em Novembro de 2009 por Micael Sousa





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