sábado, 24 de abril de 2010

A dependência do modo de transporte aéreo

Por momentos, que em alguns casos até foram alguns dias, o sistema de transportes de passageiros Europeu paralisou parcialmente. Com o encerramento de cerca de 80% dos aeroportos a Europa viajou ao passado, 60 ou mais anos, no que toca a disponibilidade de transportes. Tudo o que era relativamente perto e onde conseguíamos chegar a custos reduzidos ficou longe e incomportável.
A nuvem de fuligem vulcânica, apesar de estar lá longe, mais para os lados do Norte mais desenvolvido da Europa, deveria, em jeito de ironia, desobstruir-nos os horizontes e permitir-nos uma visão e análise mais lúcida sobre o sistema de transportes nacional. O impedimento do uso do avião demonstrou a nossa dependência face a este modo, que o diga o nosso Presidente da República, que à data da escrita destas palavras acaba de chegar de uma longa viagem de automóvel do centro da Europa, cerca de 48 horas pelo que ouvi.
Este fenómeno natural Islandês só veio comprovar a fragilidade dos sistemas alternativos de transportes de passageiros Europeus, face ao cómodo, rápido, mas muito poluente, transporte aéreo. Um pouco por toda a Europa os caminhos-de-ferro não conseguiram responder a este fluxo inesperado de passageiros. Dado que pelas suas características (grande capacidade, conforto e reduzidos impactos ambientais) o comboio seria o meio alternativo preferencial face ao corrente transporte aéreo. Que dizer então de Portugal? Se países como a França, que por sinal até foi quem inventou o TGV (train à grande vitesse), não tem infra-estruturas e comboios em número suficiente para todas as solicitações, então que dizer da capacidade nacional em apresentar alternativas viáveis?
No meu entender, com base também em alguns conhecimentos académicos que fui recolhendo, é imperativo para Portugal demonstrar que a aposta na ferrovia é de suma importância nacional. Quer no transporte de passageiros, quer no transporte de mercadoria, articulando-se com os restantes modos de transporte: aéreo, marítimo e rodoviário.
Não é altura para definhar e apartar o país destas necessárias infra-estruturas.
Ao nível local, a aposta modo ferroviário, chamando-lhe ou não TGV – Pois siglas há muitas e muitas vezes mal utilizadas -, poderá trazer a Leiria enormes benefícios. Passando essa aposta pela: reactivação da Linha do Oeste, possivelmente mais para o transporte de cargas e turismo; e construção da linha de alta velocidade, com capacidade e preços competitivos para transporte de passageiros e mercadorias. Criando assim uma rede local intermodal, ou seja, ligação entre as duas possíveis linhas ferroviárias e o já fortemente implementado sistema rodoviário.
Os transportes são essências para um desenvolvimento sustentável nacional, mas sobretudo local se falarmos em Leiria, pois sem dúvida que a região é extremamente prejudicada pela ausência do modo ferroviário em quantidade e qualidade.

(Texto publicado no Diário de Leiria em 23 de Abril de 2010) 

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