sábado, 31 de dezembro de 2011

Vai uma prendinha de cidadania para garantir a providência?

A austeridade está ai, mas para o ano será ainda maior. Como responder a isso, especialmente quando o Estado, por via do Governo, deixar de garantir algumas funções que poderiam amenizar ou suavizar esse choque? O atual Governo, devido à crise e pela ideologia em que assentam as suas políticas, tenderá a acabar com a construção de um Estado Providência. 

Como nestas épocas de instabilidade a providência será cada vez mais necessária, provavelmente terá de ser a própria sociedade a encontrar as soluções para as atuais e novas privações. Com a redução do papel de intervenção e garante do bem-estar às populações por parte dos Estados, para garantirmos alguma providência teremos, especialmente em Portugal, de reinventar a Sociedade Providência. Deveremos então voltar ao passado e trabalhar em comunidade, para a comunidade, de modo a garantir um certo nível de providência? No passado isso era possível, por exemplo na construção de habitações, onde toda a comunidade ajudava na construção das casas dos vizinhos. Hoje, regulamentos e leis, que fazem todo o sentido em nome da segurança, qualidade e da redução dos impactes ambientais, patrimoniais e afins, dificultam muita da ajuda do coletivo. Hoje será praticamente impossível fazer uma habitação sem recurso a crédito, pois os prazos de obra não permitem “ir construindo”. Mas, mesmo assim, ainda muito se pode contribuir para uma dita Sociedade Providência, existem muitas maneiras de garantir a imperativa providência e compensar a não resposta Estatal. Não defendo que o Estado e a Administração Local Autárquica devam ser diminuídos nas suas responsabilidades, mas como os financiamentos, por todas as razões e mais algumas, tenderão a ser reduzidos, temos de encontrar alternativas para responder as dificuldades que vão passar muitos portugueses.
Para falar de cidadania, e de a relacionar com a Sociedade Providência, nada como alguns casos práticos para a exemplificar. Um exemplo simples e tangível pode ser: se tivermos um “buraco” na nossa rua, se formos reclamar a quem de direito e não houver dinheiro para reparar, uma solução será, com autorização das entidades responsáveis, fazer uma intervenção em jeito de trabalho voluntário e coletivo entre todos os moradores. Com esta opção dá-se uma lição de cidadania e um exemplo que poderá aproximar os cidadãos dos problemas da gestão pública e contribuir para um maior envolvimento na própria comunidade; dá-se um exemplo de “ir para além das obrigações” em prol de todos. Lembro outro caso recente de demonstração cívica na causa ambiental que poupou fundos públicos e foi para além das obrigações cívicas dos envolvidos: a iniciativa limpar Portugal. Muitos mais exemplos existem, tais como as recolhas de alimentos e outros bens para posterior distribuição. Assim, se seguirmos estes e outros exemplos, quando as coisas melhorarem – temos de esperar e fazer para que melhorem pois insustentável é viver sem esperança – os cidadãos poderão contribuir ainda mais e melhor para uma sociedade mais responsável - esperando que o Estado o seja também -, com mais empatia e capacidade de entreajuda. Nada como fazer para depois poder exigir!
Em jeito de conclusão e alusão à quadra festiva que vivemos: darmos uns aos outros outra atitude cívica e uma cidadania mais ativa será a melhor prenda para este Natal e para um ano novo que se avizinha difícil!

Texto publicado no Diário de Leiria em 22 de Dezembro de 2011

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Voluntariados e entorses nas pré-festividades de 2011

A época que antecedeu o Natal de 2011 aqui por Leiria merece um registo aqui nas "Redundâncias", por muitas e variadas razões redundantes, mesmo que alguns dos casos até sejam de grande importância e marcos a recordar.
Primeiro, os cortes orçamentais a que o Natal de Leiria esteve sujeito, sem grandes investimentos públicos, devido à difícil situação financeira do Município, levaram a que a cor do nosso Natal local vivesse muito do voluntariado e uma atitude cívica de salutar e elogiar - o que até foi positivo! Este ano não houve a habitual "Aldeia do Pai Natal" no nosso Rossio à beira Lis. Mas em contrapartida criou-se uma "Oficina" - do mesmo proprieário fictício, o Pai Natal - no conhecido edifício do Banco de Portugal. Nesse local de nome ficcional, mas bem real, construiu-se e produziu-se uma exposição alusiva ao Natal e dedicada as mais novos. "Fábrica" construida à custa dos meios internos da Câmara Municipal e de vários voluntários que expuseram alguns bens e objetos de brincadeiras, que são verdadeiras coleções de afetos e afetividades. Tive a possibilidade em ajudar a que nessa fábrica houvesse uma "Linha de Montagem" de Lego, de contribuir para que alguns dos melhores construtores/colecionadores de Lego de Leiria pudessem expor as suas coleções e criações para delícia de visitantes de todas as idades. Obviamente não podia deixar de colocar lá umas quantas criações também, mas a falta de tempo crónica, por excesso de vontades de fazer e criar, têm-me desviado de novas construções. Ficou lá um barco e uma torre medieval inteiramente fruto da minha imaginação. Espero que de futuro se possam organizar mais exposições e alargar a quantidade e qualidade das criações Lego para mostra, este foi sem dúvida um bom princípio. Mas mesmo com pouco tempo, foi a perseverança do Alex e do António, e apoio da Orlanda, que permitiu que tudo se tivesse montado e  que o resultado final fosse bem simpático. Aliás, o resultado só pode ter sido bom, pois até foi dado bastante destaque ao evento, até pelo próprio semanário Região de Leiria que fez uma excelente reportagem acompanhada de vídeo e entrevista ao Alex - o principal autor da exposição Lego. Ficou o exemplo de cidadania e voluntariado destes construtores Lego de Leiria, o primeiro que queria dar e referir neste texto.
Vista panorâmica do tema cidade na exposição 2011 do Banco de Portugal
Outro caso é o o "Leiria Iluminada", como de uma necessidade se fará e concretizará uma ato de voluntariado que seguramente fará história na cidade e no seu centro histórico. Como não haviam verbas para grandes iluminações para o Natal de 2011, devido novamente à dificuldade financeira que passa a CML, alguns cidadão e utentes do centro histórico de Leiria tiverem a excelente ideia de eles próprios, recorrendo a copos e velas, iluminar a noite de 23 de Dezembro. O resultado só poderá ser bom! Seguramente que o efeito visual será muito particular, mas mais importante será a união  e mobilização dos leirienses - num ato de pura cidadania ativa -por uma causa e objetivo coletivo da sua própria cidade. Imagine-se o que mais poderá ser conseguido de futuro com o aproveitar destas sinergias!
Para mal dos meus pecados - que devem ser muitos, pois enquanto ateu devo até ser culpado dos mais simples - tive uma grande entrose ontem... Hoje estou de muletas e com o pé ao alto, inchado com quase o dobro do volume que normalmente tem. Ontem, no meu habitual dia a que me dedico à prática do mau futebol - aquele que sou capaz de praticar - fiz a proeza de marcar um golo de belo efeito - mesmo ao canto depois de uma finta - enquanto torcia o pé direito sobre o meu próprio peso. Por isso, essa mini fatalidade, não poderei sair nesta noite em que Leiria se ilumina especialmente. Só me resta imaginar como será e esperar por ver as fotografias!
Copos e velas depositados nos pontos de recolha para o "Ilumina Leiria"
Acho que vou recordar este pré-Natal de 2011. Só espero que as luzes desta nova Leiria não brilhem só hoje. De futuro gostaria de poder contemplar a sua cívica luz,  o seu exemplo de claridade a seguir!

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Intervenção na Assembleia Municipal de Leiria sobre conflitos de tráfego rodoviário

Para a cidade de Leiria já muitos foram os estudos viários, de tráfego e transportes elaborados. Muitos deles – se não mesmo todos – referem casos preocupantes ao nível da mobilidade, défices e incapacidade para escoar tráfego, pelos vários modos de transporte, em várias zonas da cidade. Para além de barreiras à mobilidade, é a própria segurança de peões e veículos que está em causa. As razões para isso são várias e a origem é tanto de hoje como do passado.
A malha viária urbana da cidade sofre, ainda, de algumas incoerências, ao nível: da hierarquia viária, das ligações, das políticas de estacionamento e até do controlo policial. Por outras palavras: as principais vias arteriais – aquelas que têm como função, acima de tudo, escoar tráfego de passagem - nem sempre formam uma rede conexa, o que diminui a capacidade de escoamento de tráfego; nem sempre as vias de acesso local – aquelas que têm como principal função a acessibilidade e não a velocidade e quantidade de tráfego que canalizam – nem sempre têm as infraestruturas adequadas construídas, e nem sempre estão organizadas e sinalizadas para o efeito, criando barreiras que geram congestionamentos, estacionamento intrusivo que leva à invasão de passeios, e outras zonas pedonais, que colocam a segurança de peões em risco; ainda de salientar também a existência de zonas heterogéneas sem política coerente de estacionamento, que criam bolsas de estacionamento gratuito rodeadas de outras pagas, formando-se assim acréscimos de tráfego e congestionamentos em busca de estacionamento gratuito. 
De notar os veículos estacionados em 2ª fila na Rua da Restauração
Um exemplo de tudo isso, um entre tantos outros, é o da Rua da restauração – uma das vias transversais à Avenida Marquês de Pombal – onde o estacionamento é gratuito, e que serve de escape aos veículos que evitam o parqueamento pago da avenida adjacente. Com essa pressão de procura, e porque falta ainda a reabilitação de muitas ruas semelhante a essa, é corrente existirem veículos estacionados em 2ª e 3ª fila, entupindo o escoamento da grande quantidade de tráfego que flui pela zona, aprisionando os veículos devidamente estacionados e colocando em risco a segurança de peões; de salientar que nessa zona, por haver várias escolas nas proximidades, há todos os dias crianças em risco. Assim, sugiro que, este e todos os casos semelhantes, possam ser intervencionados o mais rapidamente possível, sendo que muitas vezes, à falta de civismo ao volante, falta também controlo policial preventivo. Provavelmente, se nessas zonas o estacionamento fosse pago, a presença da polícia e da multa seria mais notória. A opção de cobrar estacionamento em ruas deste tipo, onde importa assegurar elevados níveis de serviço de tráfego e acessibilidade, seria uma opção defensável e apropriada, podendo ser disponibilizado sempre o devido estacionamento gratuito para moradores, mediante comprovativo.
Estes problemas de tráfego, e muitos outros, como temos constatado têm estado na mira do Município, pois, pela concretização de várias obras recentes, já muitas ruas foram intervencionadas, garantindo o ordenamento do tráfego e do estacionamento, evitando os conflitos modais – conflito entre automóveis e peões. Casos disso são, a título de exemplo, entre muitas outras, a Rua Tenente Valadim e a Avenida Ernesto Korrodi. Esperamos que de futuro mais ruas e avenidas possam ser intervencionadas, tentando diminuir também os efeitos das próprias obras. Esperamos que se possam promover mais os modos suaves – o andar a pé, de bicicleta e outros -, reduzir os efeitos nefastos do excesso de veículos nos centros urbanos e, sendo ainda mais esperançosos, almejar o reforço do transporte público, cómodo e de reduzidos impactes ambientais.
Aproveito para questionar a Câmara Municipal sobre o decorrer dos trabalhos de reabilitação viária da Avenida Marquês de Pombal
Uma vez que faço uma intervenção sobre transportes e rodovias, não posso ignorar as recentes obras e intervenções que tem sofrido o IC2 e respetivas ligações. Mesmo sabendo da complexidade dos trabalhos em causa – especialmente difíceis pois a via em causa continuou sempre em funcionamento, à exceção de pequenos períodos de tempo – há que exigir mais e melhor sinalização e preocupação para com os utentes do IC2. São vários os casos de automobilistas que se têm enganado nos nós rodoviários improvisados e novas ligações definitivas. Por isso, fica também o meu apelo a que as Estradas de Portugal, enquanto Dono de Obra, exija e garanta mais e melhor sinalização nos nós rodoviários associados ao alargamento e ligações do IC2.

domingo, 18 de dezembro de 2011

Uma conversa sobre cidadania, política e redes sociais na Escola Dr. Correia Mateus

Dia 15 de Dezembro foi um dia de mais uma nova experiência, desta vez numa escola básica do 2º e 3º Ciclo. Já não é a primeira vez que participo numa conferência, debate ou tertúlia como orador, mas desta vez o público era muito mais jovem. Foi a primeira que vez que tive a oportunidade de falar e partilhar alguns supostos saberes e experiências com jovens estudantes, maioritariamente do 8ºano, com idades que devem andar compreendidas entre os 13 e os 15. Quando recebi o convite pela professora Fátima Fortunato fiquei  simultâneo preocupado e motivado. Fiquei um pouco desconfortável pois não era o meu ambiente normal, mas, por outro lado, fiquei cheio de vontade de participar pois seria uma nova experiência ainda mais interessante pelo tema a abordar e tratar.

O objetivo era falar e partilhar experiências sobre cidadania, participação cívica e política, a propósito do Projeto Parlamento Jovem e do tema deste ano: A descriminação nas redes sociais. Com este tema as possibilidades eram imensas, ainda que condicionadas pela necessidade de adaptar a linguagem ao público – um tipo de público com o qual estava longe de estar à-vontade.
O evento, intitulado de “Uma conversa sobre cidadania, política e redes sociais” começou com as boas vindas dadas pelo professor António Oliveira - o atual Diretor do Agrupamento de Escola Dr. Correia Mateus - tendo depois sido a professora Fátima Fortunato a fazer a minha apresentação.
Tendo sido apresentado comecei a “orar” – um termo curioso para um ateu. Comecei um pouco atrapalhado mas depois entrei no ambiente, que era bem agradável, pois deu-se na biblioteca da escola, com os alunos sentados numa espécie de hemiciclo construído com uma disposição propositada das cadeiras para o efeito. Comecei então por sugerir algumas dicas para participar num debate: ouvir enquanto alguém fala, tirando notas para depois, quando surgir a oportunidade do próprio intervir, ter o fundamento e registo para refutar, apoiar ou lançar novas ideias no debate. De seguida explorei o conceito e importância da cidadania: uma relação de direitos e deveres em que uns não existem uns sem os outros, e que uma sociedade com mais cidadania ativa é sempre uma melhor sociedade. Da cidadania passei à política, lembrando a ideia de Platão, de que “se não participarmos na vida política corremos o risco de ser governados pelos nossos inferiores”, servindo esta citação para reforçar que todos devemos estar disponíveis para fazer o nosso papel político como ato de cidadania, e quando nós próprios não nos sentimos preparados para desafios maiores devemos fazer de tudo o possível para escolher quem melhor nos representará politicamente. Nesta altura, o Sr. Diretor aproveitou para fazer uma referência que enquadrou estes princípios na realidade de turma dos estudantes do grau de ensino em causa. Referiu que nas eleições dos delegados de turma todos se devem disponibilizar, e que depois devem escolher conscientemente os melhores, não por relações amizade ou outras semelhantes, mas pelo mérito e capacidades de cada um. Terminada esta importante e relevante referência, salientei e tentei que os estudantes percebessem que: a partir do momento que vivem em sociedade, que conseguem comunicar, fazem, mesmo sem saber, política. Até usei o exemplo da origem da palavra Idiota para os fazer “acordar” – literalmente -, que significava na altura da democracia ateniense “homem privado”, ou seja aquele que não tinha interesse e vontade em participar na vida pública da sua sociedade.
A próxima etapa consistiu em falar da Democracia como forma de governo, referindo que apesar de, por vezes, falhar é a melhor forma de governo que conhecemos, e que é nosso dever enquanto cidadãos torna-la participativa de modo à sua melhoria contínua. Por fim cheguei ao tema das redes sociais, para dizer que são uma possibilidade imensa e revolucionária de comunicarmos, algo que nunca se viu no passado, mas que apesar disso existem perigos. Foram as redes sociais que permitiram fazer a “Primavera Árabe”, e razão pela qual em países não democráticos a sua utilização é restrita. No meu caso pessoal, referi como exemplo pessoal o “Movimento ANTI-Corrupção”, movimento informal que criei e que só pode acontecer e desenvolver-se devido às redes sociais; sem elas nunca teria conseguido passar a mensagem a dezenas de milhares de pessoas e ouvir os seus contributos para a construção do movimento, participado no Ignite Portugal, ter sido entrevistado e escrito textos de opinião para alguns meios de comunicação nacionais e locais (DN, Público, Região de Leiria), sido coautor de um livro (ver excerto aqui), e o blogue do movimento ter sido nomeado para o concurso internacional de blogues na Alemanha The BOBs – sendo o único representante português. Apesar de tudo isso – aspetos positivos das redes sociais e da WEB2.0 -, tinha de referir os aspetos negativos das redes sociais. Fi-lo aproveitando para sugerir algumas soluções: o modo como pode servir para maltratar a linguagem escrita, caso resolvido com a utilização de corretores ortográficos; a falta de privacidade, devidamente resolvida com consciência e correta utilização de filtros; o perigo do isolamento social, que se dissipa se as redes sociais servirem para organizar eventos e reuniões de amigos presencialmente. Aqui, pegando no exemplo dos SMS, dei o meu exemplo pessoal, de com ao utilização do dicionário de escrita automática me permitiu melhorar o modo como escrevia depois em papel. Assim, as redes sociais, apesar de perigos, quando bem utilizadas têm um potencial imenso. Por isso não há que ter medo da tecnologia. Para ilustrar isso relembrei o filósofo Sócrates, e do seu medo para com a escrita, temendo que ela tornasse as pessoas esquecidas. O resultado de não se ter ouvido os medos face à tecnologia que é a escrita, por parte do célebre filósofo ( e até escrever o que ele próprio dizia oralmente), permitiu acumular durante mais de 2000 anos muito do conhecimento humano atual – imagine-se o que seria que ninguém tivesse escrito o que acontecia e o que descobria. O medo das redes sociais pode ser, em parte, semelhante ao medo infundado de Sócrates. Com este exemplo, os estudantes ficaram a princípio espantados com este exemplo, tendo depois ficado a biblioteca em alvoroço – acho que com esta história acordaram! Estava assim concluída a primeira parte. De seguida vinha o debate.
Os alunos, a princípio, como é habitual nestas coisas, não demonstraram vontade de colocar dúvidas, questões ou intervirem. Mas claro, lá estávamos nós [eu e a professora Fátima] para “puxar” por eles. Perguntei-lhes se, depois desta sessão, achavam que a política era aquela coisa chata, aborrecida e que não tinham interesse? Responderam logo que não!, que o problema muitas vezes é dos próprios políticos e não da política. Perguntei-lhes também o que deveriam fazer, por exemplo, se tivessem um buraco na rua deles. Responderam que se iriam queixar. Completei-lhes a resposta, dizendo-lhes que deveriam ir à junta de freguesia, e para o caso de a junta não ter fundos para isso poderiam dar um exemplo de cidadania ativa: adquirirem, por todos os moradores, os materiais necessários e trabalharem em voluntariado conjunto para melhorar a sua rua. Ocorreu também outro caso curioso. Assim que algum dos jovens falava, caso tivesse alguma atrapalhação, logo todos os outros tentavam troçar e brincar com o sucedido. Este exemplo fez-me fazer mais uma pequena intervenção, onde referi que é preciso ter coragem para falar em público, partilhar o que sabemos e não sabemos, que só assim podemos aprender e melhorar, que ficar calado com receio das nossas ignorâncias de nada serve ou contribui; dei os parabéns e reforcei a coragem de todos e todas os que falaram.
Tentei rematar o debate com mais duas citações para que os jovens do hemiciclo improvisado pudessem refletir: “Todos o Homem é culpado pelo bem que não faz” – Voltaire; e, “se tiver 8 horas para cortar uma árvore, prefiro passar 6 delas a afiar o machado” – Abraham Lincoln.

Em jeito de resumo: cidadania e partilhar e receber. Nesse dia entre os jovens da Escola Dr. Correia Mateus senti que recebi muito!

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Lições do dia dos 3s

O último dos dias do mês de Novembro foi um dia em que o número três assumiu e influenciou a redundância de uma via - a minha. O mês, que acabava com 10 vezes 3 dias, tinha-me deixado a 3 votos de uma vitória política e a 3 do 20 de nota na tese de mestrado.
Ainda que o 3 se tenha manifestado de um modo curioso, ainda que alguns mais supersticiosos possam ter outras leituras - eu por principio, e porque dá azar, não sou supersticioso -, vou tentar tirar três lições desse triásico dia:  
  • a perfeição é inalcançável;  
  • nem sempre uma vitória é uma derrota e vice-versa; 
  • em conjunto aprende-se muito (e ganha-se) mais.  

Ah, uma quarta lição: a vida pode dar-nos muito mais do que três lições num só dia.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

A ascensão da Popota e o fim do subsidio de Natal

Quase todos os dias um pouco por todo o lado, assim que surge a oportunidade para uma conversa informal, daquelas e café, vem à baila a Popota. Ainda bem que assim é, pois o assunto parece ser inofensivo e ajuda a desviar a atenção do filão de ouro que alimenta os nossos noticiários - a crise!!! Nessas conversas todos dizem: "a Popota está com uma (ou numa) forma!!!" 
Parece que a estratégia de marketing do grupo Sonae funcionou, pois como dizia Oscar Wild "falar bem ou mal pouco importa, interessa é que falem". Então e a questão dos subsídios, aquela que pode ter despertado o interesse para estas palavras? Respondo a isso com outra coisa que me saltou logo à vista nestas novas versões 2011 dos anúncios de Natal com a estrela que já é a Popota. Se analisarmos as imagens e os sons, o facto de ser uma campanha de Natal é pouco evidente. Não existe qualquer nostalgia natalícia, ambiente, roupas, adereços ou afins que tragam a memória do Natal!
Será que já começou o processo de habituação para os cortes do subsídio de Natal? Bem, se nos levarem a esquecer esta quadra pode ser que não sintamos a falta dos subsídios! Pois interessa é diversão, mesmo sem tradição ou um tostão! Será que o Governo está por de trás disto? Só falta dizerem que o Pai Natal foi despedido pela Coca-Cola...

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Experiências académicas: procurar as alegrias vividas no IPL agora na UA

No passado dia 30 de Novembro, apesar de hoje o meu médico me dizer que estava pesado, senti um alívio e sair de peso de cima imenso: o mestrado estava concluído. Com a conclusão dessa etapa terminou um longo período de estudos no Instituto Politécnico de Leiria (IPL), ao todo 8 anos a estudar nessa instituição. Longe vai o tempo do Bacharelato em Engenharia Informática, depois o Bacharelato e Licenciatura em Engenharia Civil que agora culminaram no Mestrado em Energia e Ambiente. Depois de 8 anos no IPL e mais um de pós graduação em Saúde, Higiene e Segurança no Trabalho, chega de estudar na dita área tecnológica. 
Anseio agora pelas letras e pela muito desejada aventura académica pela História. Felizmente, para mim e para muitos outros, existe uma universidade que nos permite estudar à distância sem que isso afecte a nossa vida profissional. A minha alegria foi imensa quando descobri que podia fazer os meus estudo em História na Universidade Aberta (UA), sem ter de perder tempo de trabalho e sem fazer deslocações. Melhor ainda, é possível fazer cadeiras ao nosso ritmo e segundo a nossa disponibilidade do dia-a-dia. Faço esta publicidade gratuita por ter a certeza que mais pessoas gostariam de ter também realizações pessoais académicas e desconhecem esta possibilidade.
 Agora, para mim IPL será mesmo somente o local de trabalho, mas digo somente sem qualquer menosprezo pois infelizmente hoje ter um emprego é quase um privilégio... As saudades só não ficam da instituição, onde tanta alegrias académicas tive, porque todos os dias ter o privilégio de a ver e sentir. Posso pelo menos tentar que outros possam ter as mesmas frutíferas experiências.

Digam-me lá que não acabei de comprovar o nome deste blogue com esta minha verdadeira e pessoal redundância?!

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Recordar e registar um derrota onde venceram os valores

Não posso deixar de guardar a memória do dia das últimas eleições da JS da concelhia de Leiria. Não posso deixar de citar e relembrar algumas palavras escritas e transmitidas. Não posso deixar de agradecer novamente a todos os que fizeram parte desta verdadeira equipa de mérito que foi a candidatura "A União das Ideias"!
"No dia depois das eleições, a equipa do projeto “A União das Ideias” não podia estar de consciência mais tranquila pelo trabalho feito em prol do socialismo democrático e dos jovens do concelho de Leiria. O nosso projeto era sem dúvida composto por uma equipa com provas dadas – militantes ativos dentro e fora do partido, jovens cidadãos e cidadãs com C grande. Para além da qualidade dos membros que compunham as nossas listas candidatas, eram as nossas próprias ideias, os projetos concretos que defendíamos e nos propúnhamos a concretizar, que nos distinguiam!
Apesar de tudo, perdemos. Mesmo que na nossa lista constassem cerca de 90% dos e das militantes ativos/as da concelhia de Leiria, perdemos. As razões da derrota, ainda que por uma magra margem de 3 votos, estão longe de se relacionar com a qualidade do nosso projeto, elas prendem-se com alguns hábitos e estratégias que tentámos evitar a todo o custo nesta campanha. Preferimos a transparência e o reforço do papel da militância ativa participativa, direcionada para projetos coletivos de defesa do bem comum. Provamos que se pode fazer uma candidatura coerente e ética! Contribuímos com um bom exemplo de militância!
Apesar da derrota estamos de parabéns! Fomos coerentes, defendemos com todas as nossas forças, respeitando a ética republicada e o próprio socialismo democrático, um projeto inovador e uma nova maneira de estar em política!
O futuro está em constante transformação. Por vezes uma derrota ou contratempo transforma-se numa oportunidade. A situação que vivemos no país obriga-nos a continuar a lutar! Desistir está fora de questão!
Muito obrigado a todos e todas os/as que nos apoiaram. Mesmo na derrota, ainda que resultando numa vitória moral e da própria ética, não abandonaremos os jovens socialistas de Leiria. Novos projetos e ideias já se começam a esboçar!"

domingo, 27 de novembro de 2011

Fado - Um produto para exportação que até é imaterial!

Quando nos dizem que a nossa música, a nossa alma transformada em sons, é património da humanidade que mais sentir do que orgulho em ser português? Se António Vieira, que era padre, dizia , no seu tempo, que nós portugueses tínhamos um pequeno país para nascer mas o mundo inteiro onde morrer, então agora temos também o mundo inteiro para receber o seu património, aquele musical que por cá por Portugal se faz.

Reinterpretação da obra "Fado" de José Malhoa pelo autor e artista Jorge Miguel

Mas numa altura dita de crise da nossa economia, e quando interessa exportar a todo o custo, aqui poderá estar uma boa oportunidade de trazer riqueza para o país levando lá para fora o que temos de melhor. No caso do Fado, por ser imaterial, até tem vantagens no transporte! Vamos à exportação do que é bom, da cultura!!! Pena é já nem Ministério termos, ou não fosse o nosso fado um sem fim de ironias, calamidades, capacidade de recuperar e viver feliz com isso!

Para que serve uma Juventude Partidária?

Se a pergunta “para que serve um partido político?” tem cada vez mais pertinência será igualmente importante questionar sobre qual a razão de ser, de existirem, e para que servem as juventudes partidárias - as “jotas”.
Se os partidos políticos servem para fazer política em grupo, com indivíduos que partilham princípios, visões semelhantes e ideologias relacionadas com as práticas de governação conjunta que querem implementar, nas jotas o objetivo é também esse, mas não só. As juventudes partidárias, para além da atividade política que se espera que exerçam em representação e defesa dos jovens, servem também de espaços de experimentalismo político e aprendizagem cívica e política para os jovens. Será então nas “jotas” que os jovens experimentam a prática da política partidária, cientes da teoria da ideologia e dos princípios políticos associados a cada partido – ou pelo menos assim deveria ser.
Mas e se os jovens forem, logo desde o berço político, ensinados, pelo exemplo, a seguir as más praticas políticas? Apesar do seu potencial enquanto espaços de formação política e cívica, e se as “jotas” forem escolas de maus costumes políticos e até da reprovável conduta pessoal? É muito importante pensar na importância das “jotas”, pois muitos dos futuros políticos dos vários partidos por lá se formam politicamente. É importante dar os “bons exemplos” desde logo, ensinar aos jovens das juventudes partidárias que a política serve para servirem e não para se servirem, que a atividade política deve ser um modo de exercício da cidadania, não o único meio de a fazerem e muito menos como opção de emprego para toda a vida. É importante cultivar a independência do cidadão político – especialmente do jovem político -, de que será tanto melhor cidadão quanto melhor for: a sua formação e percurso profissional; a sua atividade cívica e de voluntariado em prol da sua comunidade; quanto tiver conquistado pelos seus méritos e capacidades, sem favorecimentos e favores de cor.
Tem de acabar o hábito de transformar as juventudes partidárias em distribuidores de brindes de campanha e abanadores de bandeiras. O futuro da nossa sociedade não se constrói com isso, e nem sequer a atividade política útil e consequente.
Os partidos são os modos preferenciais – para não dizer únicos da atualidade, apesar de soprarem ventos de mudança – para se fazer política consequente (não existe nenhuma democracia sem partidos políticos). A qualidade dos partidos depende também do papel das juventudes partidárias a eles associadas, especialmente para a renovação com novos membros e ideias novas e inovadoras, e até - se calhar mais importante que tudo - pela necessidade imperativa de aproximar mais os jovens da política. No entanto, se alguns dos maus exemplos políticos oriundos dos partidos começarem desde cedo a ser replicados nas camadas das suas “jotas”, muito dificilmente teremos melhor política e melhores atores políticos no futuro.

(Texto publicado no jornal Tinta Fresca em 21 de Novembro de 2011 e no Diário de Leiria em 15 de Novembro de 2011)

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

O simbolismo de uma Greve Geral - impressões de Leiria

Um pouco perdido neste dia de greve parti a pé para o centro da cidade de Leiria. Palmilhei ruas, praças e afins e pouco vi de manifestações de greve. Viam-se uns quantos cartazes a apelar à mobilização, mas contestação nem sinal dela. No entanto notava-se muito menos movimento nas ruas. Em Leiria o descontentamento demonstrava-se pelo marasmo e inercia. Leiria estava em Greve? Acho que sim!

Pelo caminho não pude deixar de refletir sobre o porquê e objetivo desta greve, e com isso sobre a nossa sociedade. No fundo, em termos práticos quantificáveis, provavelmente, esta greve não serve para nada: ela não vai resolver o problema económico do país e as dificuldades que os trabalhadores vão ter em 2012, podendo até agravar tudo isso. Mas será que os problemas da nossa nação, aqueles dos euros, não advêm de outros problemas de outra natureza? E se o nosso problema se relacionar com défices sociais ligados à psicologia relacional individual e coletiva? Como se explica que muitos portugueses não compreendam o valor simbólico de uma greve, mesmo quando as razões que a justificam se prendem com perdas de direitos laborais arduamente conquistados ao longo de anos de justas lutas? Como aceitar que agora se deite para o lixo, sob a justificação de uma crise micro e macroeconómica difícil de compreender, associada à alta finança e à desgovernação pública, aquilo que nos permite “respirar”? Mas onde está a nossa cidadania ativa? Onde está a nossa empatia social? Não nos conseguimos colocar no lugar do outro quando o outro é em tudo igual a nós mesmos? Será isto algum défice de desenvolvimento cognitivo coletivo? Estarei eu também, com todas estas críticas, a ser incapaz de me colocar na pele alheia?

Não havendo qualquer atividade construtiva a fazer para contribuir para este dia que deve ser de protesto, decidi direcionar a minha Acão para outros lados: fazer greve ao consumo e potenciar a palavra comunicada. Bem, é o mínimo que posso fazer! Se no passado muitos foram os trabalhares sacrificados, alguns mesmo com a vida, para termos direito à greve e todos os demais direitos laborais (alguns que agora são "suspensos"), por respeito da herança, há que tentar ser consequente.
Este dia sem vencimento vai custar no final do mês, mas custará muito mais a muitos, isso não duvido pois a realidade de algumas famílias é chocante! Que mais justificações precisamos?! E não me digam que os símbolos não são importantes, ou não fosse isto um importante símbolo de valor altamente relativo: €.
Se na última Greve Geral o simbolismo e o objetivo eram pouco evidentes, pois o Governo tinha acabado de se demitir e as eleições estavam ai à porta, agora o caso é bem diferente. Agora este novo Governo, depois de esquecer as críticas ao excesso de austeridade do PEC IV e de fazer o contrário do que prometeu em campanha - quem esquece as palavras de Maio de 2011: "os portugueses não aguentam mais austeridade"; "os subsídios são intocáveis"; e "aumentar os impostos está fora de questão" - obriga-nos a fazer algo, nem que seja algo simbólico! As eleições são para daqui a muito tempo, e dificilmente haverá outro modo tão evidente de demonstrar o sentimento de descontentamento, e de revolta em alguns eleitores que se sentem agora enganados. Se na altura referi que uma forma de demonstrar o nosso desagrado era com mais trabalho, agora volto a dizer o mesmo. Os trabalhadores portugueses, apesar de serem alvo de tudo o que não motiva para mais produtividade, seguramente responderão com o habitual esforço para compensar as perdas de hoje, mas pelo menos poderão fazê-lo depois de terem demonstrado o seu desagrado! 
A Greve Geral não deve ser usada como folga ou férias, por isso para além de incomodar uns quantos reacionários pelas redes sociais, decidi fazer greve ao consumo. Será a meu "pseudo-ascetismo" do dia.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Fazer muito ou pouco em dia de greve?

Confesso que nunca fiz greve na vida. Como não participei em algo do género confesso que fico sem saber muito bem o que fazer. As razões são mais que muitas para fazer greve, nunca tal se justificou tanto, pelo menos durante os tempos em que tenho vivido com a consciência desperta. Mas a questão é a seguinte: que fazer num dia de greve?
Muita inacção temos tido enquanto povo, muita mais enquanto cidadãos. Então até podemos fazer greve ao trabalho, como modo de demonstrar o nosso legitimo descontentamento, mas que fazer com o tempo livre? Bem, vou decidir o que fazer, o que será melhor do ponto de vista cívico neste dia de greve...

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Lego: impactos geracionais e a 1ª exposição em Leiria

Lego é muito mais que uma marca de brinquedos, hoje é também passatempo de adultos e uma forma de expressão criativa que, em certos caso, assume contornos de arte.
Mas, primeiro que tudo, queria referir algumas curiosidades históricas sobre a Lego: o brinquedo, que se associa ao melhor da tecnologia dos plásticos, foi criado por um produtor de brinquedos de madeira; até o nome escolhido para o brinquedo é peculiar, pois trata-se da abreviatura de "brinca bem" em dinamarquês – “leg godt”.

Fotografia panorámica da primeira exposição de construções Lego em Leiria

Sem dúvida que quem usou o famoso brinquedo dinamarquês brincou bem! O potencial e possibilidades das pequenas e coloridas peças eram imensos, ainda mais numa altura em que o virtual era pura imaginação. Sem dúvida que isso contribuiu positivamente para o desenvolvimento motor e cognitivo de gerações. Mas terá a noção, de que a partir de simples peças se poderia construir tudo o que quisesse, contribuído para que algumas gerações hoje exijam os sonhos que construíram e davam como certos? Será que hoje faltam as peças ou os construtores? Provavelmente faltam ambos. Falta o equilíbrio entre realidade e fantasia.
Voltando ao Lego. Esse brinquedo, quase desaparecido de muitas lojas, vai agora ganhando um novo estatuto de culto, mas muito à custa de adultos. Nos dias que correm, muitos dos que brincaram em tenra idade com Lego, levam as antigas brincadeiras, e boas recordações, ao estatuto de hobby. Basta fazer uma pesquisa pela Internet para ver as maravilhas que existem e se podem fazer com as pequenas peças de plástico. Há de tudo, para todos os gostos. Há reproduções admiráveis, desde cidades a castelos, desde objectos a robótica, entre outros.
A existência de duas associações nacionais de utilizadores (maioritariamente adultos) de Lego - a PLUG e a Comunidade 0937 -, que fazem exposições de deslumbrar crianças e adultos, são sinal desta mudança.
Recentemente [à data], de 15 a 18 de Abril, aconteceu na cidade de Leiria, mais concretamente no espaço do Cinema City, a primeira exposição de construções em Lego. O resultado final, para uma primeira exposição, foi excelente. Há que reconhecer e dar os parabéns a Orlanda Mota por ter organizado o evento e a Olímpio Alexandre por ter trazido os seus incontáveis caixotes e ter montado, recorrendo aos seus valiosos conjuntos, uma cidade digna de qualquer importante exposição do género. Houve também espaço para outros expositores, especialmente para os mais jovens, aqueles que vão quebrando a regra e deixando as consolas de lado para brincadeiras alternativas.
Um Lego continua tão didáctico como sempre foi, tão fascinante e divertido como é próprio de algo que permite construir a novidade. Saberemos pegar neste exemplo - de investimento, esforço e criatividade - para as construções do futuro?

(Texto publicado no Diário de Leiria em 6 de Maio de 2011)

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Um vislumbre da sapiência de Mário Soares pelo IPL

Dia 17 de Novembro de 2012, em mais uma Sessão Solene de Início de Ano lectivo no Instituto Politécnico de Leiria, houve tudo aquilo que esperávamos: discursos, entrega de diplomas, homenagens e música. Mas a edição deste ano contou também com uma lição especial, algo a que os organizadores chamaram de: "lição de sapiência". Tendo em conta o professor desta aula, muitos serão os que concordarão mas haverá sempre quem discorde de como foi apelidada o espaço destinado à intervenção do ilustre convidado, ou não fosse o orador sapiente o Dr. Mário Soares.
Mário Soares abordou a temática Europeia, tratou temas relacionados com a União Europeia, a Política Europeia e o Euro. Não se esperava outra coisa quando o pilar de orgulho da UE que é o Euro está actualmente sob ameaça, em risco de tombar, e com ele os próprios alicerces da própria União dos 27.
As palavras de Soares foram de crítica ao modo como tem sido conduzida recentemente a UE. Apesar disso tentou passar uma mensagem mais positiva: de que com outro tipo de liderança e reunir de esforços comuns esta actual crise facilmente seria facilmente ultrapassada. O nosso antigo Presidente reforçou e relembrou ao público aquilo que de bom distingue a Europa dos demais continentes: as suas conquistas culturais, humanistas, cientificas e a qualidade de vida generalizada que têm os europeus.

Houve tempo para responder a algumas perguntas do público. Não pude deixar de tentar obter mais saber do principal orador da tarde. Perguntei qualquer coisa do género: Em que medida mudou a mentalidade dos governantes e dirigentes da UE desde a altura em que aderimos e foi Presidente de Portugal para os dias de hoje?
Soares, com a sua natural simpatia e bom humor de quem partilhava uma sua opinião – numa altura da sua vida que poucos duvidam de ser franca – quase informal, diz mais ou menos isto: sabe, na altura, antigamente nos anos 80, a UE era governada por verdadeiros socialistas, até por democratas cristãos, com sentido de estado, que não se limitavam a desumanidade de um capitalista neoliberal que só olha a dinheiro e esquece as pessoas

Confesso que gostei da resposta, embora desgoste do seu significado e das implicações que traz: a realidade que estamos a viver neste momento e as maiores dificuldades que se especula que virão de futuro!

terça-feira, 15 de novembro de 2011

A história de uma Festa e História da Martinha

O dia de S. Martinho tinha sido na véspera, por isso dia 13 era o dia da Martinha, e à noite seria o momento da sua festa. As pessoas juntaram-se, queriam saber afinal quem era a Martinha, porque tinha direito ela a uma festa ali na Rua Tenente Valadim. Lá começaram a aparecer os curiosos por volta das 22h00 e logo o espaço da MovDesig se encheu, e enchia-se cada vez mais pois não houve lábios que dessem de comer e beber ao estômago enquanto conversavam; as castanhas quentes e apetitosas, a água-pé e jeropiga satisfaziam sedes de algo mais que água.
Afinal a Martinha ninguém vira nem conhecia. Diziam alguns que sabiam o seu fado passado, tendo-o registado em relatos escritos. Sabendo-se que não se poderia jamais saber qual a verdade sobre Martinha, fez-se a votação. Ganhou uma história em poema que virou canção. Ganhamos todos pois à noite animada da companhia, dos comes e dos bebes, ficou-nos a magia de uma memória mais doce que o açúcar da jeropiga.
 
Parabéns a todos e todas os que fizeram esta festa para amigos e amigas. Parabéns à malta da A fixação Proibida e à Joana Correia pela sua vencedora história/poema.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Porque andava o Obelix com um Falo às costas?

Quando vi que na pré-história os menires se associavam a falos – enormes órgãos sexuais masculinos erectos associados, por sua vez, a cultos de fertilidade - não pude deixar de me questionar porque raio é que o Obelix andava sempre com um às costas!?

http://quadripedia.blogspot.com/2010/06/obelix.html

Acho que esta questão pode levar a algumas especulações. Fico à espera das teorias e respostas, imaginação não faltará com certeza!

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Que seres primitivos que somos na actualidade

No momento actual em que vivo se acreditasse no destino diria que está a ser irónico. Enquanto academicamente me dedico a estudar a Pré-História, sinto que muitos dos Sapiens de hoje têm muito ainda que evoluir no campo dos valores e da Ética. Nem os jovens escapam a essa fatalidade da condição humana contemporânea.

Para quando o salto evolucional para o Homo Ethikus?

Fonte: http://grafar.blogspot.com/2009/06/serie-do-mes-homens-das-cavernas_26.html





terça-feira, 8 de novembro de 2011

A reciclagem do meu velho PC e uma reflexão sobre o que o envolve

Uma recente avaria no meu portátil - um quase topo de gama de há uns poucos meses - fez-me refletir sobre a nossa contemporaneidade e no fundo o que lhe assiste: nós e a nossa condição de espécie que se diz espiritual mas que no fundo é materialista.


Tendo avariado a minha máquina - uma manifestação do pico da tecnologia, como já referi - percebi o quão dependente era dela, dos seus Bits, Bites e Hertzes. Senti-me pobre... Pela necessidade do bem material informático tive de recorrer a empréstimos, tive de pedir o computador da minha esposa emprestado, condicionando assim a vida dela e a minha. Claramente estava a abusar de um recurso que, embora partilhado, não poderia ser utilizado a 100% por todos - sim, a relação com a degradação ambiental é evidente.
A necessidade faz o engenho, e da minha - que era informática - fez-se luz. Tinha de encontrar uma solução! Então, dei por mim a pegar numa caixa de um computador com 9 anos, a tentar pôr a coisa informática - esse pedaço de história - a funcionar. Gastei algum tempo, meia dúzia de euros e a coisa lá ficou a funcionar. Hoje escrevo estas palavras através dessa mesma ferramenta informática.
Afinal existe quase sempre uma solução para as necessidades mais físicas e materiais, e, por vezes, aquilo que parecia não servir afinal serve e bem! Não é o suprassumo da tecnologia, mas serve! Aliás, serve tão bem que foi de tal maneira útil que me levou a refletir. Afinal precisaremos de tudo o que consumidos? O mais novo é sempre necessário? Abusar de recursos não fará com que outros que verdadeiramente precisem fiquem deles privados?
Olhando para o país, será que temos aproveitado o que temos, reinventado as existências, potenciando o que pode ainda ser útil? Ou será que temos sempre partido para o empréstimo e para o que é novo sem considerar as nossas reais necessidades? Mas não é só Portugal, em parte, notando-se ou não em todos os locais, um Mundo está um pouco assim: Materialista no mau sentido do termo
Felizmente (ou não) este estado de consciência passa-me até o meu portátil vir do "arranjo", ou então até passar por uma qualquer montra apetecível.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Política da terra queimada – o caso da venda do Estádio Municipal de Leiria

Enquanto jovem que ainda sou, e Leiriense que sempre serei, sinto-me lesado. As recentes notícias da impossibilidade da venda do Estádio Municipal, que permitiria aliviar a asfixia a que está sujeito o nosso município, devem, no mínimo, preocupar os Leirienses. Enquanto jovem, eu e os/as da minha geração, vemos cada vez mais o nosso futuro hipotecado. Os custos diários de manutenção, da infraestrutura e principalmente da própria dívida, roubam-nos os fundos que deveriam ser utilizados para outros fins – consta que o custo diário é de mais de 8000€ ao dia (que afinal até são mais). Não seria preferível usar desse dinheiro para investimento e prestação de serviços reais aos munícipes, pois, afinal, quem utiliza o Estádio? Mesmo sendo utilizado e servindo alguns Leirienses, será que esse serviço justifica os custos? Na minha opinião não! Ou a realidade dos usos e atividades no Estádio Municipal mudam - implicando isso ainda mais investimento e gastos (com dinheiros que não existem) - ou este será mais um elefante branco, mais um presente inútil e insustentável a legar às gerações vindouras.

Fonte: Blogue http://desartistico.blogspot.com/, da autoria de Micael Sousa

Os jovens de Leiria pagam hoje, em parte, mas pagarão muito mais no futuro as várias faturas deste nosso Estádio - um dos reflexos de erros de anteriores gestões públicas. Recentemente a oportunidade de vender o Estádio poderia ter resolvido isso, poder-se-ia ter saldado uma pesada herança. Mas os entraves, especialmente por quem deveria contribuir também para a resolução do problema, logo surgiram. Faltou capacidade democrática de deixar quezílias partidárias e pessoais de lado para remediar erros do passado. É de lamentar que isso não se tenha conseguido, nós leirienses merecíamos outras resoluções! São estes e outros casos que contribuem para afastar os cidadãos da política e dos partidos, pois vêm que o bem-comum - o principal objectivo que deveria nortear as lides políticas - tende a ser remetido para segundo plano. Alguém disse - e com razão - “é a política da terra queimada”: tudo se faz para ter vantagem na guerra da política, independentemente do que se queime ou de quem saia queimado destas lutas inúteis, e por vezes fratricidas. Ainda mais grave são os efeitos que este tipo de atitudes tem nos mais jovens, que vêm estes maus exemplos como o “modo normal de fazer política”. Sem dúvida que isso condiciona, negativamente, a formação que se dá aos mais jovens do ponto de vista cívico e político.
Para além de nos hipotecarem pela via económica, hipotecam a capacidade de acreditarmos nos políticos e suas políticas, levando a que muitos jovens – muitos deles íntegros e competentes - se queiram afastar o máximo da nobre arte de governar as sociedades! Assim como nos governaremos, democraticamente por cidadãos e cidadãs conscientes dos seus deveres cívicos e políticos, no futuro?

(Texto publicado no Tinta fresca em 30 de Outubro de 2011, no Diário de Leiria em 2 de Novembro de 2011 e no Jornal de Leiria em 3 de Novembro de 2011)

sábado, 29 de outubro de 2011

Haverá uma “Troika” que nos puxe?

Troika, Troika, Troika! O nome Troika tem sido utilizado – muitas vezes abusando dele - nas conversas de ocasião neste último ano, denotando quase um certo fascínio masoquista pelas implicações negativas, directas e indirectas, que tem e terá para nós portugueses.
Mas afinal de onde vem o termo Troika? Terá sido inventado aquando da crise das dívidas soberanas? Terá sido criado o termo propositadamente para nomear a equipa do Fundo Monetário Internacional, Banco Central Europeu e Comissão Europeia? Bem, parece que não, curiosamente o termo até já tinha sido empregue em Portugal durante o famoso “Verão quente de 1975” – que o diga Otelo Saraiva de Carvalho. Mas, independentemente das instabilidades do Pós 25 de Abril, parece que a origem do termo é russa. Troika, em russo, significa a associação de três cavalos (ou outros animais de carga) a um carro (carruagem, carroça ou trenó). No fundo a palavra representa uma associação, uma composição de três entidades que se unem para colocar algo em movimento. Terá então a Troika que tem visitado Portugal sido constituída para “puxar”, numa relação com a palavra russa, Portugal da crise? Então e será positivo sair de uma crise como um “atrelado”? Que será quando os cavalos se forem embora? Dirão os pragmáticos: “interessa é sair”, nem que os cavalos vão e venham, e que o percurso se faça intermitentemente, “interessa mesmo é que isto ande”. Afirmações desta natureza até podem ser defensáveis, no entanto se forem sempre motores de fora puxar-nos um destes dias perderemos o volante – se é que não perdemos já.
Especulações à parte, poucos são os termos novos inventados do zero. O mais comum costuma ser a adaptação, reformulação e reciclagem do que já anteriormente foi inventado e criado. Haverá algo mais sustentável que aproveitar e reinventar criações alheias? Mas servirão as fórmulas “dos outros” para outras realidades [a nossa]? Ou seja, poderá o modelo externo servir para resolver os nossos problemas internos, independentemente de serem 3 ou mais a ajudar? É que sendo verdade o significado do termo russo “Troika”, e a tal composição sirva para puxar pela neve fora os trenós, falando figuradamente: não terá o modelo de propulsão económica de ser readaptado para o nosso clima mediterrânico?
Esperemos que à Troika dos 3 se junte a força dos 4, com um novo elemento constituído pela energia dos portugueses para se salvarem a si próprios, pelo seu esforço, trabalho e mérito com um projecto adaptado às dificuldades da nossa realidade. Mesmo que todos os 4 tentem puxar e pôr a nossa economia a andar, terá este Governo a capacidade de nos conduzir? Vendo o caminho recente por onde nos tem levado, sempre à beira do princípio, esperemos que a viagem não acabe numa grande queda – uma queda abrupta do nosso poder de compra e qualidade de vida, que nos parece cada vez mais evitável devido às evitáveis decisões políticas recentes.

(Texto publicado no Diário de Leiria em 25 de Outubro de 2011)

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Candidaturas a coisas políticas – candidatura à JS da concelhia de Leiria

A vida é feita de experiências, e, das muitas que vamos tendo, serão tanto mais úteis aquelas das quais mais consigamos aprender e crescer - a todos os níveis. 
Logótipo da candidatura em causa
Uma das mais recentes experiências que vivi (e que ainda estou a viver) relacionou-se com o abraçar e encabeçar de uma candidatura à concelhia da juventude partidária a que pertenço. As razões pelas quais me disponibilizei para este novo papel foram várias, justificações que se podem ler directamente ou indirectamente nas palavras que registarei de seguida. Provavelmente, uma das principais razões surgiu da vontade em continuar e aprofundar muito mais as actividades que tenho desenvolvido como membro activo, que sempre me esforcei para ser  – embora nem sempre tão consequente como gostaria –, em conjunto com as companheiras e companheiros que se têm envolvido e dedicado tempo à causa política na estrutura em causa. Dos anos de militância foi-me possível aprender e crescer politicamente com os bons e maus exemplos, com os projectos bem e mal sucedidos e as condutas sérias e menos sérias. Tornei-me militante num partido a que se associo a ideologia com que me identifico, e vi esse acto de aderir como o início de uma aprendizagem política, enquanto ciência e prática, de onde aproveitaria a participação para aprender com os camaradas mais velhos e experimentes. Mas a principal aprendizagem, apesar de tudo, deu-se ao nível da sociabilização e da dinâmica de grupos, do conviver e construir em grupo com pessoas diferentes – experiências, idades, formações, valores, modos de estar, cultura, etc. Da aprendizagem de grupo posso dizer que aprendi também bastante sobre política, pois a política na prática e a prática politica não se faz isoladamente – o próprio conceito de política relaciona-se com as antigas Polis gregas enquanto sociedades e grupos de cidadãos conscientes da necessidade de se governarem em grupo.
 Voltando ao presente. Após um período de reflexão, sabendo que as eleições internas da concelhia da “jota” em causa, decidi que teria de tentar ser útil, desta vez de um novo modo e num papel que nunca tive – sempre me preocupei mais com as ideias que com as lideranças e relações de poder. Para tal disponibilizei-me para ser o primeiro subscritor de um projecto político. Recuso-me a utilizar a palavra liderar, pois o cargo em causa é de coordenação, que pressupõe - na minha opinião- o incentivo ao grupo, para que os seus próprios elementos sejam os seus próprios responsáveis e tenham liberdade de aproveitarem e concretizarem todo o seu potencial e valor, em prol das causas maiores que todos nós – o bem comum.
Dos meus anos de militância (cerca de 5 à data), conheci vários estilos de coordenação, vários tipos de militância, vários tipos de atitudes e participação militante. Dessa experiência, nesta altura em que pouco mais tempo serei um “jota” – por imposições de idade (os 30 estão quase ai) -, não poderia deixar de me propor ao trabalho.
Sessão de esclarecimentos
Da experiência de campanha, ainda enquanto decorre, saliento aspectos positivos e negativos. Positivamente saltam à vista o reforço de relações entre militantes que se unem pelo mesmo projecto, o estruturar de ideias que pertenciam apenas aos indivíduos e agora são de um grupo. Ainda positivamente os aspectos benéficos da competição que obrigam ao melhorar e elevar da fasquia na construção de cada projecto. Negativamente, e provavelmente porque se estreitam alguns laços noutro sentido, destacam-se os conflitos. A competição, por mais bem-intencionada que seja, pode sempre causar conflitos e mal-entendidos para além do elevar dos conteúdos. A capacidade de sanar esses percalços constitui um passo importante na aprendizagem de todos nós, um acto que nem sempre é fácil quando entram em cena pessoalismos. A política é feita por pessoas para pessoas, com indivíduos e suas particularidades, que os tornam únicos e por vezes levam ao conflito de interesses e valores. Independentemente disso, nunca se deve perder o foco e o objectivo final que é o apresentar de novas vias para chegar ao anteriormente citado – por vezes tão difícil de definir pela sua subjectividade paradoxal – bem-comum.
Um militante de um partido será alguém que se disponibiliza para abraçar ideias base e ideologias políticas, mais ou menos, definidas que tentam encontrar soluções para o bom governo das sociedades. Ou seja, é uma vertente da participação cívica que deveria ser comum a todos os cidadãos. A actividade política é uma expressão do dever de participação cívica, mas está longe de ser a única. Foi por essa razão principalmente que avanço sem receio, de perder ou ganhar, para o escrutínio entre pares. Ganhando ou perdendo, se conseguirmos – a equipa que entendeu dar o seu trabalho e esforço à candidatura em causa [A União das Ideias] – ganharemos sempre pois estou convicto que apresentaremos e disponibilizaremos um bom projecto, realista e com propostas inovadores. Em suma, daremos o exemplo do que deve ser feito.

Neste espaço de registo de redundâncias, pessoais ou com assuntos relacionados com a minha pessoa, são mais umas palavras que ficam para uma história com “h” pequeno.

Deixo aqui algumas ligações para recordar deste momento particular, que no futuro será história (ainda que pequena):

sábado, 22 de outubro de 2011

Porquê escrever?

Numa recente leitura tive uma epifania sobre a razão pela qual nos dois últimos anos tenho tido uma vontade irresistível de escrever e dizer coisas.

"É lá possível compreender aquilo que não formos capazes de dizer'" - Marc Bloch


Afinal escrevo para me compreender e tentar compreender se compreendo o mundo à minha volta, que pro vezes parece ser incompreensível!


sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Texto de apresentação para as fotografias expostas na "Festa do Fred"

Partilho o texto de apresentação para a sala onde tive a honra de poder ter algumas fotografias da minha autoria expostas durante a "A Festa do Fred", organizada pela "A Fixação Proibida" na Movdesign em Leiria:
Micael Sousa, dizem as crónicas dos nossos tempos, é uma pessoa distraída e com queda para muitas coisas, amálgamas e trapalhadas físicas e outras mais intelectuais. No seu jeito calado e tranquilo, por vezes até tímido, fez o ensino secundário em artes, e acabou por se tornar engenheiro civil. Estudou mais umas coisas, mais ou menos técnicas como a higiene e segurança, culminando recentemente no mestrado de energia e ambiente. A próxima aventura será diferente, será a História, mais uma para ajudar à confusão. Várias testemunhas confirmar que casou bem, e com gosto e alegria, orgulhando-se disso.
A vontade se ser um generalista levou-o a fazer várias e diferentes coisas, nem sempre bem é claro, nunca tendo o medo de errar impedido de experimentar o erro. Mas a vontade de aprender, descobrir e experimentar foram sempre a regra e fio condutor. Apesar da participação política e cívica local, os mais recentes pontos de interesse passam também pelas criações de autor, entre elas a: escrita de prosa e poesia; desenho e pintura, construções LEGO; e fotografia. Comprovando tudo isto são os vários blogues onde essas criações são partilhadas, onde se divulga o que vai surgindo naturalmente, aquilo que sempre colocou à disposição da crítica, vendo nisso um modo de tentar melhorar o que ia fazendo.
Hoje, pela mão de amigos aqui na Movdesign, que muito se esforçaram para transformar um recente hobbie - a fotografia -, Micael Sousa tem a honra e privilégio de poder partilhar convosco instantes da sua amada cidade de Leiria. As fotografias registam momentos e espaços característicos da cidade, momentos registados de modo a tê-los sempre perto, de guardar de perto a sua beleza, ainda que nem sempre as fotografias façam jus à bela Leiria.
Fico por fim o convite à visita do blogue "A Busca pela Sabedoria" disponível em www.abuscapelasabedoria.blogspot.com , local onde Micael Sousa vai partilhando fragmentos da busca por mais cultura geral. As criações mais sensoriais, que não devem ser confundidas com arte, entre elas fotografias, desenhos, pinturas e poemas, podem ser vistos no blogue "Desartístico", com morada em www.desartístico.blogspot.com.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

O Governo e as suas lições de ideologia política

Com o título que escolhi para estas minhas palavras opinativas provavelmente não despertei grande interesse em potenciais leitores. Afinal, com tantos casos sórdidos de políticos e suas políticas, quem afinal, para além dos académicos e próprios políticos, quer saber de ideologia política?
Provavelmente, preocupado com isso, o actual Governo parece querer dar verdadeiras lições de ideologia governativa aos portugueses. Se isso fosse um exercício pedagógico, capaz de reforçar a participação cívica, a tarefa seria louvável, pois não se pode ser um cidadão civicamente completo e activo sem estar atento e participar politicamente na sua sociedade. No entanto, os propósitos do Governo parecem ser outros, e o método pedagógico assente na política dos cifrões
Este Governo tem vindo lentamente a demonstrar as suas fortes convicções liberais de direita: do peso mínimo do Estado; da desvalorização do serviço público; da redução dos salários como desculpa para a necessária maior produtividade; da precariedade e falta de direitos no emprego; da economia liberalizada sem rédeas; das privatizações sem regra; etc. As preocupações sociais assumidas durante a campanha eleitoral cedo se esqueceram, e foi conseguido o prodígio nefasto de agravar ainda mais o programa da troika. É obra, má obra!
Agora alguns governantes, qual país “terceiro-mundista”, assumem que o valor pago pela mão-de-obra deve ser reduzido! Ir por essa via ainda nos afastará mais da Europa e do nível de vida e desenvolvimento que procuramos! Porque não inovar de facto e proporcionar aos trabalhadores e empresas as condições para produzirem mais? Como esperam estimular e incentivar a produção assim? Isto é de tal maneira incompreensível que até os defensores das ideologias económicas mais liberais consideram que “ganhar mais” contribui para maior motivação laboral e logo mais produtividade. Por cá, a demanda da eficiência tem passado sempre por cortar onde é mais fácil: nos salários. A opção mais difícil, e trabalhosa, de alterar os modelos de gestão, organização e produção parece ser sempre descurada. Olhando lá para fora, falta-nos a organização, a responsabilidade e a motivação. Capacidade de trabalho é coisa que demonstramos ter enquanto povo, vejam-se os casos dos emigrantes portugueses no estrangeiro. Este exemplo é constantemente utilizado mas parece que nunca é verdadeiramente entendido… para nosso mal…
Assim, de um modo indirecto, o Governo, pelas suas políticas erradas – na minha opinião – tem tido um papel positivo: ensinar como as políticas e ideologias da direita neoliberal (ou ultra-liberal) prejudicam quem vive do seu trabalho, especialmente aqueles que vivem do trabalho assalariado – no fundo quase todos nós.

(texto publicado no Jornal de Leiria em 13 de Outubro de 2011 e no Diário de Leiria em 17 de Outubro de 2011)

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Madeira – um mau exemplo de autonomia e responsabilidade

Se a Madeira a muitos de nós [continentais] passava, mais ou menos, despercebida e muitas vezes só pensávamos nela como um destino interno turístico, isso agora mudou. Se víamos o Presidente do Governo Regional da Madeira como um político e líder caricato, irreverente e estranho (tendo em conta a realidade política nacional), isso hoje também mudou. Não há hoje português - continental ou insular - que veja a Madeira e o seu Governo Regional da mesma maneira. A preocupação, desconforto e revolta instalaram-se nos portugueses…
Se andávamos preocupados com as nossas finanças públicas e se a desconfiança, por parte dos cidadãos, pesava cada vez mais sobre os nossos governantes, que pensar agora? Como poderemos confiar em alguém? Aliás, será que confiar é o tipo de sentimento que os cidadãos devem ter perante os seus políticos? Sim, penso que isso deveria acontecer, mas só se os próprios cidadãos começarem a assumir mais o seu próprio papel de intervenção política, aquele que se supõe que tenham numa democracia participativa como a nossa. Ou seja, temos de participar mais politicamente para mais exigir dos nossos políticos! Importava passar a tratar a classe política pela primeira pessoa e não pela terceira, deveria haver de facto uma revolução cívica de participação política: passar do "eles" para o "nós". Se não confiarmos em nós, em quem mais confiaremos? Confiando ou não, pelo menos seriamos sempre responsáveis e responsabilizados pelo que fizéssemos politicamente.
Voltando ao caso da Madeira e à sua autonomia especial. Do dito arquipélago foi-nos dado mais um mau exemplo político e cívico: autonomia na irresponsabilidade de fazer despesa e dependência no assumir dos encargos. Não há democracia que resista a cidadãos que usem a sua liberdade para a irresponsabilidade, esperando que outros assumam o resultado dos seus actos. Pior ainda é quando os cidadãos com responsabilidades políticas fazem o mesmo em nome de todos os outros. Mas aqui o problema é de base e relaciona-se com a ética. Poderão todos os cidadãos, especialmente os que reclamam a mais alta voz, dizer que têm exercido a sua cidadania de um modo pleno para que nenhuma culpa lhes seja também atribuída?
Independentemente disso, e porque ainda há cidadania responsável em Portugal, poderiam os cidadãos íntegros exigir ao Governo Regional da Madeira viagens em pensão completa de modo a poderem usufruir de todo o investimento que agora terão de suportar?
Só espero que um dia os cidadãos dos outros Estados-membros da União Europeia não tenham a mesma ideia e exijam o mesmo aos portugueses do continente

(Texto publicado no Diário de Leiria em 27 de Setembro de 2011)
Related Posts with Thumbnails

Redundâncias da Actualidade - criado em Novembro de 2009 por Micael Sousa





TOP WOOK - EBOOKS

Novidades WOOK - Ciências

TOP WOOK - Economia, Contabilidade e Gestão

Novidades WOOK - Engenharia

Novidades WOOK - Guias e Roteiros